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Artigo

The book is on the table

Antonio Carlos Bassio Haddad é professor universitário em Adamantina. cinecaca@uol.com.br

Alla mia nonna Idalina che non capisce inglese, solo l’italiano, dedico.

Pensei muito antes de escrever este artigo, afinal, não quero dar a impressão de ser um “crica”. No entanto, quando se trata da cultura brasileira, sinto que devo tomar uma posição do tipo Policarpo Quaresma, nacionalista extremo. A minha guerra é contra o vasto vocabulário da língua inglesa, que enfeita (realmente enfeita, pois muitas pessoas não sabem o significado de tais palavras) desde portas de banheiros (W.C.) até um dos programas de maior audiência da televisão brasileira (Big Brother).

Darei alguns exemplos das minhas últimas experiências com a língua anglo-saxã. Estava na capital paulista e ao entrar em uma pizzaria deparei-me com uma atrocidade, pois ao abrir o cardápio observei que as pizzas vegetarianas estavam assinaladas com a palavra inglesa “veggie”. Não seria melhor dizer que aquelas pizzas eram “vegetarianas”? Vamos para um segundo exemplo. Em uma ótica, de um “shopping center” de Bauru (não seria melhor centro de compras?), encontrei um grande anúncio com a foto da modelo Ana Hickman. Sob a marca do produto li o seguinte slogan: “eyewear”.

Não seria melhor que estivesse escrito “moda dos olhos”? Mas não termina por aí. Ainda no mesmo “centro de compras” encontrei uma loja que estava oferecendo uma promoção de seus produtos. Ao invés de colocar a palavra portuguesa “promoção” o proprietário optou por colocar a palavra “sale”. Na hora de almoçar naquele “centro de compras” deparei-me com um restaurante que exibia a placa “chinese food”. Que tal “comida chinesa”? Estive nos Estados Unidos e nunca vi um cardápio de restaurante oferecendo “pizza vegetariana”; lojas querendo vender, escrevendo “promoção”; restaurante chinês que oferecesse “comida chinesa”.

Não seria melhor investir na cultura brasileira, em nossa língua, que, mesmo trazida pelo colonizador europeu, tornou-se plena de brasilidade, oferecida pela mistura das raças? Por acaso o leitor lembra do último dia do folclore brasileiro? Talvez não! Alguém ainda lembra das lendas do Sacipererê, da Mula-sem-cabeça, da Iara a mãe d’água? Com certeza lembramos mais das histórias do Halloween.

Este artigo não tem o intuito de condenar a língua inglesa ou a cultura norte-americana, que é de suma importância no mundo globalizado, mas de valorizar a nossa cultura, perdida em alguma carteira de escola. Por que qualquer nevasca nos Estados Unidos tem que ser manchete nos principais telejornais brasileiros? Por que temos que acompanhar as eleições americanas todas as noites, como se os Estados Unidos fossem parte do Brasil? Será que os americanos, todas as noites, em seus telejornais, acompanham os problemas das secas que temos no nordeste? Será que eles acompanham ansiosamente as nossas eleições presidenciais? Em agosto de 2001 fui aos Estados Unidos para fazer um curso de inglês. Chamou-me atenção o número de bandeiras norte-americanas na frente das casas. Passado um mês da minha chegada, as torres gêmeas sofreram o maior atentado terrorista da história mundial. Notei que as bandeiras norte-americanas triplicaram. Pude perceber que o sentimento cultural e patriótico pode sustentar e mudar uma nação. No caso do Brasil, ou respeitamos a nossa cultura, ou, mais uma vez, voltaremos a trocar bugigangas por ouro e pau-brasil.

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