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Há alguns anos o governo do Estado criou
o malfadado bônus, espécie de incentivo aos trabalhadores do
magistério, professores, diretores e supervisores de ensino, a fim de
que melhorassem sua performance, principalmente em termos de
assiduidade, já que as ausências eram alarmantes.
A bem da verdade esclareça-se que nunca
houve interesse real na melhoria de salários, mas para “calar a boca
das entidades associativas”, criou-se esse bônus que foi muito bem
recebido, porque é melhor “pingar que secar”. Já que não se aumenta o
salário, que venham as “dádivas”, as benesses. Assim passaram-se os
anos, as faltas dos profissionais reduziram drasticamente, havia até
quem nunca abonava, que chegava a trabalhar com saúde precária. Embora
de quando em vez houvesse ameaça de extinção dessa “galinha de ovos
quase de ouro”, em relação aos salários, pela mudança de governo,
secretários, o bônus permaneceu.
Este ano, inclusive, a mídia paulistana
e mesmo local emitiu breve nota em que veiculava o pagamento pelo
governo num total de até R$ 6.500,00 para professores, diretores, de
cujo montante já haviam recebido R$ 1.200,00 e até R$ 5.800,00 para os
supervisores.
É claro que a galera exultou. Pois que,
viver dignamente como cidadão com o achatamento salarial existente é
ser Mandrake.
Contudo, na prática a teoria foi bem
outra. Explosões de raiva, descontentamento e mesmo indignação ao
receberem os hollerits pertinentes. De inúmeros profissionais
consultados, apenas um havia recebido quase R$ 1.000,00. Onde a falha?
Qual o critério?
Sim, dirão os apaniguados do sistema, há regras, certamente houve
razões para o ocorrido. Porém, não é apenas isso que indigna a todos e
sim, a maneira como a notícia do pagamento foi divulgada. Ali não se
falou em regras, em como obter aquelas cifras e sim que haveria os
tais pagamentos que poderiam atingir aqueles montantes.
E, creiam, as pessoas cujos hollerits
vieram com percentuais que não atingiam 20% do esperado são idôneas e
profissionais respeitados. Aliás, houve até quem recebesse R$ 58,00
(sic).
Sabemos que não é apenas pagando
salários dignos aos profissionais da educação (e não essas aberrações
como bônus e quejandos) que a educação, cujo nível é péssimo na maior
parte da rede pública, irá melhorar. E sim, principalmente quando se
respeitar a dignidade das pessoas. Isso se fará com políticas públicas
transparentes e eficazes.
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