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A fábula do bônus ou como
continuar enganando os já aviltados

Nelson Carlos Pereira dos Santos é funcionário público estadual  aposentado, jornalista e professor universitário em Adamantina

Há alguns anos o governo do Estado criou o malfadado bônus, espécie de incentivo aos trabalhadores do magistério, professores, diretores e supervisores de ensino, a fim de que melhorassem sua performance, principalmente em termos de assiduidade, já que as ausências eram alarmantes.

A bem da verdade esclareça-se que nunca houve interesse real na melhoria de salários, mas para “calar a boca das entidades associativas”, criou-se esse bônus que foi muito bem recebido, porque é melhor “pingar que secar”. Já que não se aumenta o salário, que venham as “dádivas”, as benesses. Assim passaram-se os anos, as faltas dos profissionais reduziram drasticamente, havia até quem nunca abonava, que chegava a trabalhar com saúde precária. Embora de quando em vez houvesse ameaça de extinção dessa “galinha de ovos quase de ouro”, em relação aos salários, pela mudança de governo, secretários, o bônus permaneceu.

Este ano, inclusive, a mídia paulistana e mesmo local emitiu breve nota em que veiculava o pagamento pelo governo num total de até R$ 6.500,00 para professores, diretores, de cujo montante já haviam recebido R$ 1.200,00 e até R$ 5.800,00 para os supervisores.

É claro que a galera exultou. Pois que, viver dignamente como cidadão com o achatamento salarial existente é ser Mandrake.

Contudo, na prática a teoria foi bem outra. Explosões de raiva, descontentamento e mesmo indignação ao receberem os hollerits pertinentes. De inúmeros profissionais consultados, apenas um havia recebido quase R$ 1.000,00. Onde a falha? Qual o critério?
Sim, dirão os apaniguados do sistema, há regras, certamente houve razões para o ocorrido. Porém, não é apenas isso que indigna a todos e sim, a maneira como a notícia do pagamento foi divulgada. Ali não se falou em regras, em como obter aquelas cifras e sim que haveria os tais pagamentos que poderiam atingir aqueles montantes.

E, creiam, as pessoas cujos hollerits vieram com percentuais que não atingiam 20% do esperado são idôneas e profissionais respeitados. Aliás, houve até quem recebesse R$ 58,00 (sic).

Sabemos que não é apenas pagando salários dignos aos profissionais da educação (e não essas aberrações como bônus e quejandos) que a educação, cujo nível é péssimo na maior parte da rede pública, irá melhorar. E sim, principalmente quando se respeitar a dignidade das pessoas. Isso se fará com políticas públicas transparentes e eficazes.
 

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