Fotografo: PNUMA / UNEP
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Anna Luísa Beserra foi premiada pela ONU na noite da quinta-feira (26)

A estudante baiana selecionada pela Organização das Nações Unidas (ONU) após criar uma tecnologia para filtrar água por meio da luz solar recebeu o prêmio da entidade na noite da quinta-feira (26), durante cerimônia realizada em Nova York.
 
Anna Luísa Beserra, de 21 anos, é a primeira brasileira premiada no Jovens Campeões da Terra, promovido pela ONU. A premiação ocorreu dez dias após a entidade anunciar que a seleção da estudante.
 
Em homenagem à Bahia, Anna Luísa Beserra subiu no palco para receber o prêmio com uma bandeira do estado nos ombros.
 
A baiana venceu após ficar entre 35 finalistas globais. Ela concorreu na categoria América Latina e Caribe com outros 4 jovens, e, nesta semana, viajou para a premiação.
 
Anna é de Salvador e mora no bairro da Ribeira, na Cidade Baixa. Em um vídeo gravado durante a cerimônia, a baiana comemora e agradece pelo apoio. "Foi um prazer representar a América Latina e o Caribe. Estou levando o prêmio agora para a Bahia. Obrigada".
 
Em abril, o mesmo projeto, batizado de "Aqualuz", ganhou um outro prêmio que reuniu 400 startups de tecnologia nos Estados Unidos. O prêmio foi R$ 25 mil.
 
Aqualuz
 
Anna Luísa, que é formada em Biotecnologia pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), teve a ideia quando tinha 15 anos e ainda estava no ensino médio. Ela contou com apoio de outros três estudantes para desenvolver a startup, no programa Academic Working Capital, do Instituto TIM.
 
São eles: Letícia Nunes Bezerra, aluna do Curso de Engenharia Ambiental da Universidade Federal do Ceará (UFC); Marcela Sepreny, graduanda em Engenharia Química no Centro Universitário Senai Cimatec (BA), Lucas Ayres, profissional formado em Ciência da Computação pela Ufba, responsável pelo design e marketing do Aqualuz.
 
O sistema desenvolvido pelo grupo usa radiação solar para tornar a água contaminada própria para consumo em regiões castigadas pela seca de forma sustentável.
 
Trata-se de uma caixa de inox que é coberta por um vidro e uma tubulação simples ligada à cisterna, um reservatório comumente usado para armazenar água da chuva ou de caminhão-pipa. A filtragem da água ocorre sem a necessidade de uso de compostos químicos. Como consequência, ajuda na redução dos índices de doenças.
 
Cada ciclo de filtragem dura, em média, 4 horas. O dispositivo, que filtra até 28 litros de água por dia, dura cerca de 15 anos e precisa apenas de limpeza com água e sabão, troca do filtro natural (com o estoque de refil já fornecido), sem precisar de manutenção externa ou energia elétrica.
 
Testes preliminares feitos em laboratório certificado, que usaram parâmetros do Ministério da Saúde, revelaram que o "Aqualuz" reduziu em 99,9% a presença de bactérias de referência.
 
Atualmente, o "Aqualuz" já distribui água potável para 265 pessoas, na Bahia, Pernambuco, Ceará e Alagoas, e o objetivo é alcançar mais 700 ainda este ano.
 
A filtragem
 
A filtragem ocorre por etapas. São elas:
  1. Primeiro, a água é bombeada da cisterna até a caixa, por meio de um encanamento, passando por um filtro ecológico que é feito de sisal;
  2. O filtro ecológico retém partículas sólidas;
  3. Depois, já com a água armazenada na caixa de inox, ocorre a desinfecção, em que o líquido é exposto à radiação solar para eliminação dos micro-organismos patogênicos. A alta temperatura na caixa ajuda a eliminar impurezas.
  4. Por fim, um dispositivo acoplado à caixa muda de cor e alerta quando a água pode ser retirada da caixa, já pronta para o consumo, por meio de uma torneira.