Fundado pelo jornalista Tico de Oliveira em 12 de junho de 1987 - E-mail: jornalimpactoconquista@gmail.com

Cidadão Repórter

77 98839-2585
Vitória Da Conquista(BA), Quarta-Feira, 20 de Outubro de 2021 - 12:34
25/09/2021 as 14:13 | Por Luiz Henrique Borges | 1358
As semifinais da Libertadores da América: primeiro giro
Artigo esportivo
Fotografo: Divulgação
Sem Legenda

A atual edição da Copa Libertadores da América, quase filial do Brasileirão, conhecerá nesta semana os dois finalistas que decidirão o título em novembro no histórico Estádio Centenário em Montevidéu, Uruguai. Em 2007, tive a oportunidade de conhecer o local em que se jogará a final. Construído para abrigar todos os confrontos da primeira Copa do Mundo, disputada em 1930, em virtude do atraso em sua finalização em decorrência das inesperadas chuvas, 8 dos 18 jogos foram transferidos para dois outros estádios, o Pocitos, demolido ainda na década de 40 e o Gran Parque Central.

Na época, o Centenário era um estádio moderno e inovador. Ele rompeu com a planta retangular, típica na Inglaterra, ou a oval, quando abrigava uma pista atlética. Ela era considerada elíptica e permitia, para os padrões da época, que os espectadores pudessem ter uma boa visualização do campo de jogo. O histórico estádio resistiu bravamente às mudanças, mas capitulou.

Os finalistas da Libertadores 2021 encontrarão um palco remodelado e atento ao novo negócio em que se transformou o futebol. Há vantagens e desvantagens no processo. Talvez, pela minha formação de historiador e de trabalhar com o patrimônio histórico, talvez pela sensibilidade e nostalgia que acompanha a idade, me entristece o processo de desterritorialização que ocorrerá. O torcedor montevideano perderá suas referências, ele não saberá mais onde se encontra aquela rachadura na arquibancada de cimento, local em que o seu pai ou o seu avô se sentaram durante décadas, que o fez um apaixonado pelo futebol e que ele já considerava seu lugar cativo. Assunto rico para debates.

Saindo da história e retornando à atualidade, os jogos de ida das semifinais foram disputados neste meio de semana. Na terça-feira, em jogo de muita marcação, vigor físico e pouca inspiração, o Atlético Mineiro perdeu a melhor oportunidade do confronto sem brilho, com o pênalti batido por Hulk, desperdiçando a oportunidade de vencer seu adversário no Allianz Parque. Apesar de atuar em seus domínios, o Palmeiras e seu futebolzinho eficiente, mas chato, se defendeu muito bem, no entanto, tentando explorar apenas as falhas do Atlético, atacou pouco.

Em Belo Horizonte, mesmo com o apoio da torcida, o que não aconteceu em São Paulo, o embate está aberto, com ligeiro favoritismo para os donos da casa. Além da presença dos torcedores, o Atlético, ao meu ver, possui maior número de atletas capazes de desequilibrar o confronto e seu elenco é mais qualificado do que o do Palmeiras. Mas, são oponentes que se conhecem e se enfrentam constantemente, o que se traduz em equilíbrio. Torço por um jogo mais aberto, ofensivo e alegre do que o disputado na capital paulista.

O Flamengo, em seu duelo com o Barcelona de Guayaquil, obteve uma vantagem importante no Maracanã. A equipe equatoriana iniciou o jogo de forma surpreendente e não se intimidou diante do forte adversário. Diferente do que ocorreu entre Palmeiras e Atlético, o jogo no Maracanã foi mais acelerado, franco, aberto e divertido.

Após Bruno Henrique abrir o placar, a partida ficou ao feitio do Flamengo. O rubro-negro poderia agora explorar os espaços oferecidos pelo seu oponente ao invés de ter que criá-los. A equipe carioca dominou o restante do primeiro tempo, fez o segundo gol e ainda viu um atleta equatoriano ser expulso.

Não tenho dúvidas que os torcedores flamenguistas esfregaram aos mãos durante o intervalo. Sonharam com uma goleada que daria ainda mais tranquilidade para o jogo no Equador. Motivos não faltavam. A vantagem construída no tempo inicial, um jogador a mais e saber que a maioria dos gols de sua equipe foram marcados no segundo tempo.

O Barcelona, mesmo com um jogador a menos, tentou assustar seu adversário nos primeiros minutos da etapa complementar. No entanto, o “chumbo trocado” e os riscos de sofrer mais um gol fizeram com que os equatorianos percebessem que seria mais vantajoso recuar e se defender. A equipe carioca, sem ser muito incomodada, dominou o jogo, mas criou poucas situações claríssimas de gols. Ao final, fiquei com a sensação de que o placar foi magro e que a vantagem do Flamengo poderia ser mais confortável.

O fato mais idiota do jogo foi, sem dúvida alguma, a expulsão do zagueiro flamenguista Léo Pereira. O atleta profissional, acostumado com os grandes jogos e as pressões que lhe são inerentes não pode atuar de forma amadora. Não é possível, em tempos de VAR, que um jogador profissional dê uma cotovelada, proposital, no adversário e ache que ela passará inadvertidamente por tantos olhos. Ainda mais ridículo, são os argumentos e gestos do atleta diante da infração. Ele queria convencer o excelente árbitro da partida, que sequer precisou do auxílio da tecnologia para apresentar o cartão vermelho ao jogador, de que a tola agressão havia sido um lance acidental, um movimento sem intenção de atingir o adversário.

Os clubes precisam coibir os seus atletas, preferencialmente desde as fases de formação, de praticarem agressões como a que Léo Pereira cometeu. As partidas, em particular nas grandes competições, estão cada vez mais vigiadas e é praticamente impossível que uma agressão passe despercebida. O atleta, infantilmente expulso, não prejudica o seu time apenas naquele jogo, mas também nas disputas futuras. David Luiz, por exemplo, não me parece estar em condições físicas ideais para aguentar os 90 minutos e o Flamengo não poderá contar com Léo Pereira para substituí-lo. Enfim, no futebol moderno e vigiado não há mais espaço para o jogador ou mesmo o torcedor irresponsável. Em relação à torcida, é comum vermos imagens mostrando casais de torcedores nos telões dos estádios. Quando “flagrados”, extasiados pela exposição, é comum trocarem beijos. Para mim, além do momento “romântico”, há uma clara mensagem: “comporte-se, estamos de olhos em você!”

Concordo com a declaração de Renato Gaúcho de que o Flamengo construiu uma excelente vantagem, mas é preciso manter o foco, a atenção e a seriedade. Mesmo sendo inferior tecnicamente ao Flamengo, o Barcelona, como qualquer outro semifinalista da Libertadores, é um time qualificado, bem montado e está bem vivo.

A equipe carioca certamente tomará alguns cuidados defensivos, inclusive pela vantagem obtida no primeiro confronto, no entanto, mesmo no palco do adversário, ela não abdicará de atacar. Não nos esqueçamos que o gol qualificado é critério de classificação na Libertadores. O anfitrião, por sua vez, não possui outro caminho a não ser agredir o Flamengo, afinal para se classificar de forma direta é preciso vencer por três ou mais gols de diferença. Acredito em um jogo aberto, franco e delicioso de se assistir.




Notícias Relacionadas





Entrar na Rede SBC Brasil