Fotografo: Foto: Carl de Souza/AFP
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Queimadas na Amazônia

O presidente Jair Bolsonaro disse neste sábado (24) que não é a floresta amazônica que está pegando fogo, mas sim as áreas desmatadas.
 
Bolsonaro falou com jornalistas na saída da residência oficial do Palácio da Alvorada. Ele comentou as queimadas na região da Amazônia, que nos últimos dias geraram críticas no Brasil e no exterior sobre a atuação do governo em relação ao meio ambiente.
 
De acordo com a Nasa (Agência Espacial Norte-Americana), 2019 é o pior ano de queimadas na Amazônia desde 2010. Na comparação com 2018, as queimadas aumentaram 82% em 2019.
 
Para Bolsonaro, a situação está se encaminhando para a "normalidade".
Segundo o chefe do Laboratório de Ciências Biosféricas da Nasa, Douglas Morton, que acompanha a Amazônia há cerca de 20 anos, há aumento do desmatamento. Ele afirmou ainda que os incêndios ocorrem em troncos de árvores expostos ao sol após as derrubadas.
 
"Temos grandes queimadas. Queimadas com energia suficiente para gerar uma coluna de fumaça que passa por distâncias como do Acre ao sul do país. Hoje em dia existe uma nova pressão pela expansão agrícola nas regiões da Amazônia e que não tinha nos anos anteriores. A concentração de queimadas no estado do Amazonas, por exemplo, é maior do que nós vimos nos últimos 20 anos", declarou o doutor Morton.
 
Nesta sexta-feira (23), Bolsonaro autorizou emprego de homens das Forças Armadas para atuar no combate ao fogo na região. Para que a medida comece a valer, os governadores dos estados da Amazônia precisam formalizar o pedido. Até o início da tarde deste sábado, Roraima, Rondônia, Tocantins, Pará, Acre e Mato Grosso já haviam aceitado a ajuda federal.
 
O presidente disse que o governo deve liberar cerca de R$ 40 milhões para ações contra as queimadas. Para ele, o valor é baixo e lhe dá "até vergonha de falar". Bolsonaro afirmou que parte dos incêndios é espontânea e, outra parte, "pelo que parece, são [incêndios] criminosos".
 
O uso dos militares foi a reação do governo federal às críticas recebidas de líderes estrangeiros, sociedade civil e celebridades sobre a alta das queimadas na Amazônia. A situação também preocupa pelo risco de barreiras comerciais para produtos brasileiros, em especial no agronegócio.
 
Diante do agravamento da crise, Bolsonaro afirmou em pronunciamento de rádio e TV nesta sexta que terá "tolerância zero" com crimes ambientais.