Fotografo: Divulgação
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A Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (ACREFI) e Serasa Experian realizaram, na última semana de maio, um debate digital sobre o Cadastro Positivo que, ao lado das medidas recomendadas por autoridades de saúde pública, se faz necessário como uma das soluções para superar a crise atual e alavancar a continuidade dos negócios no mundo pós-pandemia do coronavírus (Covid-19).
 
Hilgo Gonçalves, presidente da ACREFI, destacou que o momento é desafiador e um dos pilares da entidade é o apoio ao Cadastro Positivo. “A ACREFI acredita na sustentabilidade do crédito e o Cadastro Positivo tem fundamental importância, tanto para isto quanto para este momento e a continuidade dos negócios. Ele traz inúmeros benefícios, principalmente para a base da pirâmide e para as Micros e Pequenas Empresas. Estamos vivendo uma conjuntura muito desafiadora - onde cuidar das pessoas se torna primordial, - seguindo as orientações das autoridades de saúde pública e também por meio de atitudes solidárias. Além das informações do histórico de crédito, é muito importante ter o comportamento do pagamento das utilities (energia, água, etc), das empresas de telefonias e do crediário do varejo, uma vez que isso irá compor um banco de dados ainda maior. O cadastro positivo não tem contraindicação, pois trará benefícios para todos”, reforça Hilgo, Presidente da ACREFI.
 
Para Otávio Damaso, diretor de Regulação do Banco Central, os potenciais beneficiados do Cadastro Positivo são as micros e pequenas empresas. “Uma das principais dificuldades das micro e pequenas empresas para acessar crédito em melhores condições é a dificuldade em oferecer garantias reais. O Cadastro Positivo pode substituir, em parte, esse problema, com a construção de uma “garantia reputacional” por meio do seu histórico de bom pagador.”, explica. “Em países onde o Cadastro Positivo é desenvolvido, o consumidor vai acompanhando o score e quando detecta que algo prejudica sua pontuação, ele mesmo toma atitudes para corrigir. Isto é educação financeira”, comentou. 
 
Isaac Sidney, presidente da FEBRABAN, mencionou que há uma crise que não foi gerada pelo sistema financeiro, mas atinge setores importantes da economia. “A economia enfrenta um choque de oferta e demanda e o mundo irá atravessar uma retração muito forte – e no Brasil não estamos imunes”, alerta. “Os reflexos serão substanciais e nossas projeções apontam que passaremos por uma das recessões mais severas da história. Os primeiros indicadores depois do início da crise mostram que a produção industrial recuou 9%, venda no varejo 13% e no setor de serviços a queda é significativa. Isso nos leva a enxergar a dimensão do problema sob a ótica econômica. Temos pressão no câmbio e risco Brasil e, debater o Cadastro Positivo como ferramenta, é uma iniciativa importante para combatermos a inadimplência”, enfatizou.
 
De acordo com Elias Sfeir, presidente Executivo da ANBC, o Cadastro Positivo opera em mais de 70 países e, nos EUA, existe há mais de 30 anos. “A principal modificação introduzida pela Lei Complementar 166/2019 na Lei 12.414/2011 foi a possibilidade de pessoas físicas e jurídicas serem incluídas nos bancos de dados de Cadastro Positivo, sem a necessidade de autorização prévia, podendo, porém, sair a qualquer momento caso queiram. Isso pode incluir 22 milhões de pessoas no mercado de crédito e temos uma estimativa de queda de inadimplência de 45% - beneficiando Micros, Pequenas e Médias Empresas. Essa ferramenta nos dá uma visão mais clara, justa e saudável do histórico de crédito - além de ajudar na recuperação da economia”, alertou.
 
Joaquim Kavakama, superintendente-geral da Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP), afirmou que a instituição desenvolve, implanta e suporta soluções e serviços para o sistema financeiro, a fim de viabilizar processos e produtos que agreguem valor à sociedade. “Defendemos a implementação do Cadastro Positivo, atuando como hub integrador para os sistemas da operação do cadastro. Ele é indispensável neste momento que precisamos olhar para uma recuperação econômica”, classificou.
 
Segundo Leila Martins, Chief Data Officer (CDO) da Serasa Experian, a nova lei proporcionou a inclusão de um volume muito significativo de informações, complementando os dados existentes e possibilitando o desenvolvimento de soluções analíticas muito mais precisas.  “Isso está conectado com nosso propósito de construir um futuro melhor – de incluir pessoas e empresas no mercado de crédito. Esse é um momento único e especial, cada um trabalhando com um cenário diferente, mas todos com o desafio de preservar negócios sustentáveis e manter empregos – e o Cadastro Positivo possibilita isto”, analisou.
 
Fernando Galbiatti, Diretor de Serviços de Crédito da Serasa Experian, afirmou que a aprovação do Cadastro Positivo é uma vitória para a sociedade  – uma vez que o Cadastro Positivo pode fomentar o crédito e prover um crescimento sustentável. “Com a nova Lei do Cadastro Positivo, os gestores de informação terão acesso a um conjunto de dados completamente novos. Isso irá melhorar a capacidade de analisar os consumidores e empresas, sua capacidade e hábitos de pagamento, além de gerar melhores scores. Com isso, as empresas terão mais informações e instrumentos para construir estratégias melhores para consumidores e empresas. Do ponto de vista do desenvolvimento de Scores e Atributos, temos um forte benchmark global dentro da Experian. Em mercados em que os dados positivos já são realidade há mais tempo, por exemplo, a Experian já desenvolveu centenas de scorings e atributos que complementam a jornada de crédito de empresas e consumidores pelo mundo. Podemos colaborar muito para a expansão e retomada do mercado de crédito no país, de forma sustentável para consumidores e empresas”, ponderou.
 
Ainda falando sobre os benefícios do Cadastro Positivo, Hilgo Gonçalves vê a ferramenta como benéfica para todos os envolvidos, principalmente neste momento – uma vez que considera o histórico positivo de crédito. “Analisando a experiência dos países que adotaram o Cadastro Positivo há mais tempo notou-se uma inclusão maior da população desbancarizada, uma redução da inadimplência e das taxas de juros, aumento da taxa da aprovação e, consequentemente, uma expansão da relação crédito/PIB. Prevemos que haverá crescimento futuro desse indicador: em países como o Chile, por exemplo, que implementaram o Cadastro Positivo, essa relação é superior a 100% - e no Brasil estamos abaixo de 50%. A expansão do crédito, de forma consciente, colabora para o crescimento da economia no Brasil”, disse.
 
Por fim, Hilgo ressaltou que informações do histórico de crédito facilitam a análise mais precisa possibilitando que o crédito atinja sua finalidade. “Estima-se a inclusão de mais de 20 milhões de cidadãos e também de Micros, Pequenos e Médios Empresários – grandes geradores de emprego – que serão diretamente beneficiados com o Cadastro Positivo”, finalizou.