Fotografo: Divulgação
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Sem Legenda

Na última terça-feira, o presidente Bolsonaro mostrou cartão vermelho para a equipe econômica. Acertou em cheio na marcação, não foi nem necessário recorrer ao VAR. “Não vou retirar de pobre para dar ao paupérrimo”, declarou. Na hora de puxar do bolso, saiu o amarelo, o da advertência, o que sinaliza “da próxima vez é banho mais cedo...”.
Uma simples reflexão mostra o quão frágil está a economia. Não há de onde deslocar recursos para atender questões sociais de interesse político do presidente. A exaustão do caixa é fácil de entender se levarmos em conta as altíssimas despesas com a pandemia, os passivos recebidos, em 2019, pelo governo e, principalmente, os equívocos da política econômica contracionista adotada desde então.
O objetivo de equilibrar contas públicas a qualquer custo e rapidamente, a marretadas se preciso for, como meio de levar credibilidade ao governo e, portanto, ao país, tem falhado por razões fortuitas e por escorregões estratégicos. A questão da pandemia alinha-se entre as primeiras. A redução da massa salarial e, por consequência, a do poder de compra, via aprovação de normas de contenção de reajustes da remuneração do trabalho e outras do mesmo jaez, deprime a economia por prazo indefinido e afeta o que mais a impulsiona, o ânimo do investidor. É do estado de espírito de quem empreende que se nutre o crescimento econômico, muito mais que da informação que os cofres do Tesouro estão cheios de ouro e de papel pintado de verde.
É preciso aqui distinguir o investidor de longo prazo na economia – empreendedor – dos aplicadores de curto prazo no mercado de capitais – especuladores – cujos interesses parecem parametrizar medidas econômicas e que são conhecidos nos meios oficiais pela alcunha de “mercados”.
A credibilidade procurada há quase dois anos por meio exclusivo do equilíbrio fiscal está cada vez mais distante. A tentativa de sair da sinuca por aumento de impostos contraria as próprias crenças do ministro, declarado neoliberal, agrava a recessão, e não será fácil fazê-la descer pela goela da sociedade já supertaxada e intoxicada desse medicamento que paralisa a musculatura do setor produtivo, o qual necessita é de consumidores e não de desonerações.
O governo já utilizou quase 50% do seu mandato, o último ano será dedicado à campanha eleitoral, quando lhe caberá apresentar números e realizações e disso dependerá a reeleição do presidente. Nesta crônica me limito a análise da economia, sem forçar a mão no viés político desses fatos. Ao que se pode observar no horizonte, não haverá fartura de recursos para bancar programas assistenciais, além dos já providos, a não ser pela adoção de saída inflacionária o que parece desmontaria toda a lógica do governo, ou de cortes na carne de projetos essenciais.
Toca fora do compasso da atual política econômica do governo, o que pode ser o farol indicador da sua recuperação, a boa performance do Ministro da Infraestrutura  Engenheiro Tarcísio de Freitas, que sabe tirar leite de pedra, mobilizar recursos e investimentos. Que gera confiança no setor produtivo e no laboral, que cria empregos, que pratica economia real. Infelizmente, para o tamanho do Brasil sua escala é muito pequena, mas é um exemplo do que é possível. Por que não lhe soltam devidamente as amarras? O país precisa crescer.
A credibilidade de qualquer empreendimento, seja uma empresa, seja um país, não vem do fato do empreendedor ter as burras transbordando de dinheiro. Muitos mãos-de-vaca as têm e não são empreendedores. Vejam os bancos, por exemplo, além de não empreenderem, não fomentam, nem financiam as atividades produtivas como seria de esperar. Socialmente são, na melhor das hipóteses, anódinos.
O bom conceito do empreendedor, a chave que lhe abre as portas para a realização dos seus projetos, seja ele uma empresa ou um país, deriva da sua capacidade de reunir meios físicos, humanos, financeiros, coordenando equipe motivada, otimista, vencedora. No nosso país isso foi feito diversas vezes, é só consultar a História. E quando isso ocorreu a resposta foi imediata, o PIB deu saltos e cresceu por muitos anos.
Tire do bolso, Presidente, o cartão certo! O que não for feito agora será tema da oposição, em 2022.
Tem gente no banco e no aquecimento. Ponha um novo time em campo, talvez ainda dê tempo.  
Como a conversa é de futebol, é bom lembrar que: “Quem não faz, leva”.