Fotografo: Arquivo / Marcio Costa e Silva / CORREIO
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Violência sexual

Na Bahia, seis crianças ou adolescentes sofreram, por dia, algum tipo de violência sexual entre 2011 e o primeiro semestre de 2018. No total, foram 16.175 denúncias no período. Nos primeiros seis meses do ano passado, foram 454 registros no estado. Os dados são do Disque 100, plataforma do Ministério dos Direitos Humanos que registra denúncias de violações de direitos fundamentais de crianças e adolescentes entre 0 e 17 anos.
 
O caso mais recente no estado foi o de Ágatha Sophia, de 2 anos, que foi violentada, supostamente pelo padrasto, Edson Neris Barbosa Santos, 27 anos, na noite deste domingo (20). A vítima não resistiu aos ferimentos e morreu. 
 
A mãe de Ágatha, Jéssica Silva de Jesus, 21, recebeu a informação de que a filha foi estuprada por médicos da UPA de São Marcos. Ela encontrou a filha nos braços do padrasto, por volta das 18h de domingo. 
 
De acordo com parentes dela, Jéssica, que trabalha como diarista, havia deixado a filha aos cuidados do companheiro para fazer uma faxina. A menina costumava ficar com o padrasto todas as vezes que a mãe precisava sair para trabalhar.
 
Saiba como prevenir, identificar e denunciar esses casos
 
A Organização Não Governamental Childhood Brasil, que busca promover e defender os direitos das crianças e adolescentes com foco na questão da violência sexual, dá dicas sobre como identificar indícios de que a criança é alvo de violência doméstica e sexual. Itamar Gonçalves, gerente de advocacy da Childhood Brasil, deu dicas sobre como observar e agir nesses casos. Confira:
 
Autoproteção
 
A autoproteção pode ser ensinada para crianças a partir de 3 anos. Veja como:
 
3 aos 5 anos - Nesta idade, as crianças já podem aprender a identificar as partes íntimas de seu corpo e o que ela não pode permitir que façam com seu corpo.
 
A partir dos 5 anos - A criança pode aprender noções de segurança pessoal, assim como ela já aprende, por exemplo, situações de risco como atravessar a rua.
 
A partir dos 8 anos - Deve-se iniciar um trabalho de informação sobre as condutas sexuais que são aceitas, de acordo com crenças e convicções de cada família
 
Observe os sinais:
 
*Mudanças no comportamento sem explicação aparente, mudança de humor, comportamentos regressivos e agressivos, sonolência excessiva, perda ou excesso de apetite;
 
*Lesões, hematomas e machucados que não tenham explicação clara ou coerente de como aconteceram;
 
*Ocorrência de Doenças sexualmente transmissíveis;
 
*Medo de adultos, medo de alguma pessoa específica que pode ser o potencial agressor, medo de escuro ou de ficar sozinho.;
 
*Interesse sexual precoce através de brincadeiras de cunho sexual e uso de palavras ou desenhos que se referem às partes íntimas de forma precoce podem indicar uma situação de abuso.
 
Acha que uma criança está sofrendo violência sexual? Veja o que fazer: 
 
Busque canais como Disque 100, que é anônimo, o aplicativo do Ministério dos Direitos Humanos “Proteja Brasil”, ou dirija-se ao Conselho Tutelar e delegacias especializadas mais próximas. Eles irão investigar o caso.
 
Busque também o Ministério Público da Bahia (MP-BA) (sede em Salvador, na Avenida Joana Angélica, nº 1.312, Nazaré, e telefone (71) 3103-6400), os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) ou as delegacias comuns para denunciar.