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Vitória Da Conquista(BA), Quarta-Feira, 24 de Fevereiro de 2021 - 16:57
23/01/2021 as 16:36 | Por Luiz Henrique Borges | 1107
Disputa em aberto
Artigo Esportivo
Fotografo: Divulgação
Sem Legenda

 Vivenciamos, desde 2003, o Campeonato Brasileiro no formato de pontos corridos. Turno e returno, todos contra todos e a equipe que obtiver o maior número de pontos é a campeã. Alguns amigos consideram que o formato adotado é pouco emocionante e que a fase Eliminatória, conhecida como mata-mata deveria retornar. Analisando os campeões entre 2003 e 2019 percebe-se que até 2011 as disputas pelo título foram mais acirradas e em 6 oportunidades a diferença entre o campeão e o vice-campeão foi de no máximo 3 pontos. A partir de 2012 tornou-se mais habitual o vencedor ser conhecido com algumas rodadas de antecedência. Tenho uma hipótese para isso, as equipes ganharam experiência e aprendizado no modelo competitivo adotado e perceberam que, tal qual qualquer disputa de regularidade, contar com planejamento e estrutura adequada é fundamental para os bons resultados.

Obviamente há defensores dos dois modelos e os argumentos de ambos são interessantes. Particularmente, prefiro, por privilegiar a estruturação da equipe e também por considerar mais meritocrático, o campeonato de pontos corridos. Concordo com a alegação dos defensores dos jogos eliminatórios, ter essa fase torna a disputa mais emocionante. Sim, é verdade, mas nas etapas finais. Ao longo da período classificatório, e isso é percebido claramente nos campeonatos regionais, o interesse é reduzido.

Percebo que o fortalecimento e estruturação dos clubes, em grande parte fruto do Campeonato Brasileiro e seu formato atual, já reverberam nos campeonatos eliminatórios. Na Copa do Brasil, por exemplo, as surpresas são cada vez menores, inclusive em decorrência das mudanças nas regras da competição, dentre elas a que permitiu que as equipes que disputam a Libertadores da América entrem em fase posterior da disputa. O último ano em que uma equipe de menor envergadura alcançou a grande final (e ganhou o título) foi em 2005 quando o Paulista derrotou o Fluminense. Em 2020, Cuiabá e América Mineiro foram surpresas? Como já escrevi em crônica anterior, as melhores equipes da Série B se equivalem minimamente às equipes que ocupam até o meio da tabela da Série A. Além disso, os dois clubes citados estão se organizando, saneando suas contas, buscando modelos administrativos mais adequados.

A rodada do meio de semana foi singular, três partidas em que os postulantes pelo título se enfrentaram. Troca de líderes e o campeonato ainda mais emocionante e aberto. Para os detratores do modelo, as próximas sete rodadas terão todos os ingredientes de jogos eliminatórios.

Quando o São Paulo abriu 7 pontos de vantagem na liderança do campeonato comecei a receber as mensagens dos defensores dos jogos eliminatórios afirmando que o campeonato havia terminado: o tricolor paulista era o campeão nacional de 2020. Quatro rodadas depois o Internacional despachou de forma implacável o São Paulo por 5X1 e assumiu a liderança do Brasileirão.

Vejam como os argumentos relativos à emoção dos jogos eliminatórios podem ser também enganosos. Se o São Paulo e o Internacional estivessem se enfrentando em modelo de mata-mata e o jogo na capital paulista fosse o primeiro e tivesse terminado 5X1 para os colorados, o poder emocional do jogo em Porto Alegre seria mínimo. Com os pontos corridos, a próxima rodada será tão ou mais importante quanto a que passou.

A equipe paulista, matematicamente, pode vencer o campeonato. A dificuldade será superar o clima após a última derrota, além da pressão por tantos anos sem títulos. Tenho minhas dúvidas se os problemas de relacionamento entre Fernando Diniz e Tchê-Tchê foram realmente superados. O declínio da equipe paulista iniciou-se exatamente após o técnico repreender de forma grosseira o atleta. Ninguém gosta de ser xingado publicamente e acredito que Diniz, naquele momento, perdeu o vestiário.

Apesar da dramaticidade dos confrontos entre os líderes, o campeonato de pontos corridos não necessariamente se define nesses jogos. Quando se enfrentam há uma tendência de ocorrer uma troca de pontos entre eles. Lembremos do implacável Flamengo de 2019, ao enfrentar o Santos, segundo colocado, o rubro-negro venceu a partida no Rio de Janeiro e foi goleado na Vila Belmiro. Se o campeão é aquele que mostra maior regularidade e, partindo da premissa que os líderes quando se enfrentam trocam pontos, o campeonato é realmente decidido nos jogos contra os clubes que estão mais cambaleantes. Pontos perdidos nesses confrontos podem ser irrecuperáveis.

A imprensa esportiva brasileira cria algumas falas que me incomodam bastante. Uma delas se deu quando o São Paulo abriu 7 pontos de vantagem na liderança. Vários comentaristas diziam que bastava ao tricolor administrá-la. Isso me causa os mesmos arrepios que sinto ao ouvir alguém dizer que a “história julgará ou a história fará justiça”. Administrar significa realizar um planejamento e ter condições reais de atuar sobre a realidade para alcançar os objetivos desejados. Podemos administrar o tempo, as finanças de casa, mas no futebol não dá para combinar os resultados com o adversário, não se administra vantagem, ganham-se as partidas e não importa se o modelo é mais ofensivo ou defensivo. O Flamengo foi campeão com folga em 2019 ao liquidar impiedosamente os seus oponentes. O Corinthians, em 2017, não vencia impiedosamente, era mais aos trancos e barrancos e contava com sua sólida defesa. A história, por sua vez, não faz nada. Quem olha, pensa, julga são os seres-humanos, são eles que explicitam suas interpretações, a partir do presente, sobre determinados acontecimentos que consideram importantes.

A imprensa também adora taxar um ou outro treinador de ultrapassado. Abel havia caído nessa categoria após alguns trabalhos menos felizes. O que falar dele agora? Outro defenestrado foi Joel Santana, duvido que o Botafogo fosse rebaixado se ele fosse o técnico do clube. 

O Brasileirão será emocionante até o final. Entendendo que não se pode perder pontos para as equipes que estão na parte inferior da classificação, os confrontos tornam-se ainda mais dramáticos e disputados, pois estamos colocando frente a frente aqueles que desejam ardentemente levantar o título e aqueles que dariam a vida para não cair para a segunda divisão. Caros torcedores, façam seus exames cardiológicos, pois muitas emoções nos esperam.

 

 

 

 




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