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Vitória Da Conquista(BA), Segunda-Feira, 27 de Setembro de 2021 - 04:25
31/07/2021 as 13:42 | Por Luiz Henrique Borges | 1285
Do G4 ao Z4: os desafios da rodada
Artigo esportivo
Fotografo: Divulgação
Sem Legenda

Estamos nos aproximando do encerramento do primeiro turno do Brasileirão. A 14º rodada nos oferecerá partidas importantes e difíceis para as equipes que lideram o campeonato. O Palmeiras, que triunfou nas últimas setes rodadas e ocupa o topo da tabela, fará o clássico estadual contra o São Paulo. Mesmo ocupando posições antagônicas na classificação, o tricolor paulista flerta perigosamente com o rebaixamento, aqui vale o já batido e desbotado clichê, “clássico é clássico”. O mesmo clichê se aplica ao Nordeste, onde Ceará e Fortaleza irão duelar, com a diferença que as duas equipes querem se manter na parte superior da tabela. Ainda na região, as rivalidades entre baianos e pernambucanos serão representadas por Bahia e Sport.

Destaco outras três partidas. Comecemos com Bragantino X Grêmio. A estruturada equipe paulista que derrapou nas últimas quatro rodadas, três empates e uma derrota, buscará sua recuperação e manutenção no G4. Já o tricolor gaúcho continuará em sua saga preocupante para sair do Z4. Os atléticos, mineiro e paranaense, também lutam na parte alta da tabela. Finalmente, o Flamengo, que voltou a apresentar um futebol de muita qualidade, jogará contra o Corinthians.

Falando do clube carioca, a transformação nos resultados e, em particular, no futebol apresentado após a troca de Rogério Ceni por Renato Gaúcho chamou minha atenção. Sem tempo para treinar, afinal o novo treinador assumiu o cargo no dia 12 de julho e já se encaminha para a sexta partida, o rubro-negro voltou a apresentar um futebol envolvente, alegre e insaciável.

Mesmo correndo o risco de repetir e reforçar estereótipos, sabendo que as generalizações estão repletas de equívocos, arrisco a dizer que faltou ao demitido Rogério Ceni a “malandragem carioca”, característica que sobra e transborda no novo treinador. Renato Gaúcho tem a alma flamenguista. Vamos agora matizar o estereótipo ressaltado. Os dois treinadores são extremamente sérios, dedicados, conhecedores e estudiosos do futebol. Ambos foram ídolos e utilizam-se desta posição conquistada para dirigir suas equipes. Porém, com personalidades e modelos de liderança distintos. Rogério Ceni é muito mais sisudo e fechado. Renato Gaúcho é extrovertido, debochado e irônico.

As coletivas de Rogério esmiúçam o jogo na parte técnica e tática, tal qual um catedrático em uma aula acadêmica, Renato Gaúcho também o faz, porém de forma mais farsesca, zombeteira, tal qual um professor de cursinho. Todos nós esperamos uma daquelas tiradas ou frases de efeito que caracterizam o treinador gaúcho.

Outra diferença é que Ceni, em alguns momentos, responsabilizou os atletas A ou B por eventuais resultados negativos. Não me lembro de ter assistido o novo treinador flamenguista agir desta forma. Em minha experiência de gestor, sou favorável aos elogios públicos, porém as cobranças personalizadas devem ser feitas no âmbito privado, no caso, dentro do vestiário, do centro de treinamentos. Entendo que Renato Gaúcho segue tal linha e desta forma mantém por mais tempo o grupo em suas mãos.

Creio que aqui se encontra o principal motivo da queda de Ceni. Ele perdeu o grupo que consciente ou inconscientemente desejava sua saída, acrescido do “fantasma” do Renato Gaúcho pairar sobre a Gávea desde sua saída do Grêmio. Há muito tempo ele era o desejo da torcida, dos dirigentes e dos atletas.

É preciso ressaltar que Ceni se viu extremamente prejudicado pelo absurdo calendário do futebol brasileiro que o privou, durante várias rodadas, de titulares importantes da equipe, contudo, durante toda sua trajetória no clube carioca ele não foi capaz de retomar, mesmo de forma pálida, o futebol insaciável que caracterizou o Flamengo de 2019 e que Renato, parece ter conseguido recuperar. Independente da vantagem conquistada ao longo de uma partida, os comandados de Renato não se acomodam, não se satisfazem em manter o placar. Jogam como se o adversário pudesse revertê-lo e, por isso, atacam, agridem e pressionam o seu oponente até o apito final.

Além disso, como ocorreu no último final de semana, contam com a sorte. É bem verdade que a sorte é companheira da competência e da intensidade. O Flamengo não começou tão bem a partida contra o São Paulo. O tricolor paulista criou excelentes situações de gol no primeiro tempo e poderia ter ido para o vestiário no intervalo do confronto com a vantagem no placar, seria plenamente justo. No segundo tempo fizeram 1X0, entretanto, o Flamengo não esmoreceu, ao contrário do São Paulo que se perdeu em campo. Quando Bruno Henrique marcou seus três gols em apenas 9 minutos me vi transportado para 2014, para o Mineirão, quando a Alemanha, jogando com seu uniforme rubro-negro, liquidou o Brasil. E a sorte, cadê ela? Quando uma equipe dá quatro chutes e fez cinco gols, não é apenas competência, conta também com uma pitada de sorte, não nos esqueçamos, por exemplo, que o quinto gol foi contra.

Mesmo sem ter alcançado o final do primeiro turno, acredito que apenas três equipes disputarão realmente o título, são elas: Palmeiras, Atlético Mineiro e Flamengo. Lógico que adoraria ver o Fortaleza, o Atlhético Paranaense, ou o Bragantino levantando a taça, mas no modelo de competição que é o Brasileirão, a força do elenco, dos investimentos e do planejamento correto são fundamentais e as três equipes que aponto como favoritas são aquelas que apresentam os elencos mais equilibrados, mais fortes, mais caros e também planejados.

Do outro lado da tabela, é fundamental que Grêmio e São Paulo consigam se recuperar no menor tempo possível, afinal as equipes mais tradicionais, quando estão no Z4, costumam entrar em campo com uma âncora presa em seus uniformes e sair do atoleiro não é fácil.

Na série B, o Cruzeiro parece estar abraçado nesta âncora. É lamentável que a equipe mineira, de tantas glórias, vivencie situação tão ultrajante. O Botafogo, que estava em situação semelhante, conseguiu respirar com as duas últimas vitórias. No entanto, continuo extremamente preocupado após assistir o confronto entre o alvinegro carioca e o Confiança no sábado passado. Como botafoguense, cheguei a conclusão que assistir os jogos da equipe tem um único ponto positivo, é como fazer check-up para problemas cardíacos. Se o torcedor tiver algum problema do coração, certamente enfartará. Não tenho dúvidas em afirmar que é o pior Botafogo de todos os tempos. O que gestões ineptas não fazem com os clubes que são patrimônios dos brasileiros?

 

 

 




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