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Vitória Da Conquista(BA), Segunda-Feira, 01 de Março de 2021 - 03:58
20/02/2021 as 11:42 | Por Luiz Henrique Borges | 1115
Domingo de emoções
Artigo
Fotografo: Divulgação
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O final de semana promete emoções fortes nos gramados brasileiros. A penúltima rodada do Brasileirão pode definir múltiplas posições em todas as partes da tabela, inclusive o campeão brasileiro de 2020 e os dois outros clubes rebaixados ao lado de Botafogo e Coritiba.

Na parte de baixo da tabela, se o Bahia derrotar o Fortaleza e o Vasco da Gama e o Goiás perderem seus confrontos, que não são fáceis, as tradicionais equipes carioca e goiana amargarão, por mais uma vez, a Série B. Se ainda chegarem na última rodada “vivas”, mais emoções estão reservadas aos desesperados, os dois clubes se enfrentam em São Januário. Aguenta coração!

É preciso ressaltar um aspecto, independente do Vasco ir ou não pela quarta vez nos últimos doze anos para a segunda divisão, percebo a completa falência do futebol carioca, antes tão vistoso e competitivo, considerado até o mais charmoso dos estaduais brasileiros. Os dois alvinegros do Rio de Janeiro, há anos, raramente disputam a Série A sem outro objetivo que não seja o de lutar contra o rebaixamento. Décadas de desmando, de desorganização, de campeonatos mal elaborados, de dirigentes corruptos e incompetentes, levaram o futebol carioca, um dos maiores e mais tradicionais do país a amargar tal realidade.

O Fluminense, financeiramente, não se encontra em posição muito confortável, no entanto, soube, ao longo da temporada, mesclar a experiência de alguns atletas com a juventude bem cultivada nos campos de Xerém. Ainda assim, apesar de contar com gerações promissoras, segue por uma trilha arriscada e o alerta deve ser ligado. O ponto fora da curva no futebol do Rio de Janeiro é o Flamengo. De qualquer forma, a franca decadência de dois grandes rivais também afetará negativamente os rubros negros e os tricolores. A rivalidade não alimenta apenas a paixão clubística, mas também os cofres dos clubes. Vasco e Flamengo, por exemplo, pode deixar de ser o clássico dos milhões para ser o clássico dos tostões.

Voltemos ao Brasileirão. A tarde de domingo no Maracanã será de fortes emoções. O Flamengo receberá o Internacional, jogo que pode definir o campeão brasileiro. Uma verdadeira final em um campeonato de pontos corridos. Apesar de atuar em casa e, a meu ver, contar com um elenco mais forte, o Flamengo irá encarar um osso duro de roer, uma vez que o estilo de jogo, propositivo, da equipe carioca se adequa muito bem ao estilo de seu adversário.

O Flamengo, por estilo e necessidade, deverá atacar o Internacional que, por sua vez, gosta de atuar de forma reativa. Os gaúchos deverão jogar mais defensivamente e contra-atacar seu oponente. Como o sistema defensivo flamenguista não se encontra tão sólido como na temporada anterior, a partida deverá ganhar mais dramaticidade.

O desfalque do zagueiro argentino Victor Cuesta é uma preocupação a mais para o Internacional. O atleta, desde 2017, é um dos pilares da defesa do colorado. Abel faz mistério sobre quem atuará, mas sem dúvida alguma é uma dor de cabeça para o treinador. Por sinal, muito se reclamou da atuação, ou da não atuação do VAR, no confronto entre Internacional e Vasco da Gama. Se flamenguistas e vascaínos esperneiam sobre a posição de Rodrigo Dourado no primeiro gol do Internacional, o pênalti e o cartão amarelo que afastou Victor Cuesta do jogo de domingo também podem ser discutidos.

Em caso de empate ou vitória flamenguista, a decisão ficará para a última rodada. O Internacional terá como adversário o Corinthians, que dificilmente lutará por uma vaga na chamada “Pré-Libertadores”. O Flamengo enfrentará o São Paulo. Acredito que a situação dos cariocas poderá ser um pouco mais confortável, uma vez que o tricolor paulista tem boas chances de chegar ao confronto já classificado para a fase de grupos da Libertadores, além disso, o São Paulo venceu no 1º turno e desclassificou o rubro negro da Copa do Brasil, o gostinho de vingança aliado a busca pelo bicampeonato pode ser um ingrediente motivador para o Flamengo.

Findada a temporada de 2020, três dias depois teremos o início da próxima. Será outro ano atípico, sem pré-temporada. Os clubes terão que se arrumar com o “carro andando”, por isso conseguir a vaga direta para a fase de grupos da Libertadores tornou-se ainda mais importante.

Outro desafio para as equipes rebaixadas ou para as que lutam desesperadamente para a permanência na Série A, será o pouco tempo que terão para se reestruturarem. Acredito que farão isso durante os campeonatos estaduais o que pode representar um risco ainda maior para o restante da temporada. Vasco e Botafogo, por exemplo, não terão tempo para preparar os seus novos plantéis. Qual será o impacto para a temporada se realizarem um desastroso campeonato estadual?

Como botafoguense estou muito preocupado com o que está por vir. Ao contrário do Fluminense, o alvinegro não é historicamente grande formador de talentos. Não conta, no elenco atual, com atletas experientes capazes de liderar os “meninos” da base. Financeiramente o clube não está mais na beira do precipício, ele já está em queda livre, só resta saber se o paraquedas vai ou não abrir. Com os atuais jogadores, começo a temer até por um rebaixamento no estadual e amargar a Série C em 2022.

Espero estar equivocado, e que os espíritos de Garrincha, Nilton Santos e outros craques do passado iluminem os jogadores. O Botafogo segue uma estrada perigosa que já derrubou clubes tradicionais como o América ou o Bangu no Rio de Janeiro e a Portuguesa em São Paulo. Também me faz lembrar outro clube tradicional, o Santa Cruz. A inépcia dos dirigentes afundou o clube pernambucano que não consegue, apesar de sua apaixonada torcida e de sua camisa pesada, sair da Série da C. A estrela solitária, antes um astro de imensa grandeza, base de seleções nacionais campeãs do mundo, tornou-se uma estrela cadente e decadente, com imenso risco de se chocar com a terra e desaparecer. Ficarei órfão, assim como milhões de outros botafoguenses.

 




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