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 Estaduais, Brasileirão: o atípico 2020
 
Luiz Henrique Borges
 
 
Diversos campeonatos estaduais finalizaram ou se encontram na reta final. Com enredos parecidos definiram-se os campeonatos na Bahia e em Pernambuco. Capital contra interior, tricolor contra carcará, dois empates nas partidas finais, com placares idênticos, a diferença se deu na ordem, na Bahia 0X0 e 1X1 e em Pernambuco 1X1 e 0X0.
Com fortes doses de emoção, o Carcará Baiano, como o Atlético de Alagoinhas é conhecido, quase repetiu o feito do Carcará Pernambucano. O interminável Magno Alves marcou para o time do interior e o Bahia precisou correr atrás do empate. Nos pênaltis, o clube da capital conquistou o seu 49º título ao vencer por 7X6. Após 22 anos o tricolor voltou a ser tricampeão estadual.
Minhas lembranças foram reavivadas com outro tricolor, o pernambucano. A última final de estadual que vivenciei no estádio foi exatamente em 2016 entre Sport e Santa Cruz, na Ilha do Retiro. Fui convidado a assistir in loco o embate decisivo por um amigo querido, que tem a sorte de carregar em seu sobrenome a equipe do coração: Fábio Santa Cruz. Não é preciso muita imaginação para saber para quem eu torcia naquela decisão, não é mesmo? Esse ano, mais uma vez me aliei ao Santa Cruz, mas a vitória do Salgueiro teve seu sabor. Inicialmente, o Carcará foi a primeira equipe do interior a conquistar o Pernambucano. Neste sentido, como historiador, presenciei um fato inédito. Finalmente, por não se tratar de um dos grandes rivais do tricolor, a derrota nos pênaltis, para mim, foi menos sofrida. Perder para um grande rival me é quase insuportável.
Já que falei do Fábio Santa Cruz, gostaria de ressaltar o livro que ele acabou de publicar e que tive o prazer de fazer a apresentação. Ele também enveredou pela história do futebol e lançou uma obra que será de grande valia para os pesquisadores com o título: “Futebol no Centro Oeste”. 
Em São Paulo, após duas partidas enfadonhas, exceto pela disputa de pênaltis, o Palmeiras impediu que o Corinthians se tornasse o primeiro tetracampeão paulista da era profissional, uma vez que o Paulistano, ainda no período amador, foi o vencedor entre 1916-1919.
No Paraná, o Atlhetico Paranaense conquistou o tricampeonato ao vencer, nos últimos minutos, o seu grande rival, o Coritiba. E em Alagoas, o CRB impediu a sequência de conquistas do CSA e levantou o caneco pela 31ª vez. 
Vários estaduais ainda disputarão as finais, contudo, o Brasileirão começou. A primeira rodada não foi completa, três partidas foram adiadas uma vez que Bahia, Corinthians e Palmeiras jogavam as finais em seus estados. Inesperadamente, um outro confronto se somou à lista: o Goiás, que enfrentaria o São Paulo, se viu diretamente atingido pela Covid-19. No último exame realizado antes do confronto, 9 jogadores do Esmeraldino, sendo 8 titulares, testaram positivo para a doença.
Particularmente, prefiro que a equipe para qual torço jogue na rodada, não gosto dos adiamentos, uma vez que, mesmo tendo jogos por fazer, vamos ocupar a “rabeira” da tabela e já iniciamos o campeonato tendo que fugir do rebaixamento, o que cria uma pressão adicional.
Dentre os confrontos ocorridos, entendo que Grêmio e Fluminense realizaram um bom duelo, mas, indubitavelmente, a melhor partida, muito superior as finais do campeonato paulista, foi Flamengo e Atlético Mineiro. 
A equipe carioca foi superior no primeiro tempo do confronto, quando o Bruno Henrique perdeu uma daqueles gols incríveis, que “até minha vó faria”. Na etapa final, Sampoli, um verdadeiro camelão tático, o que nem sempre é sinônimo de êxito, não só equilibrou como passou a dominar o duelo. 
O Flamengo, no meu entender, sofreu com “três desfalques”. O primeiro, a torcida. A equipe carioca tem em seus torcedores um combustível extra quando joga no Maracanã. Sem dúvida, teríamos quase 70 mil rubro-negros cantando, gritando, empurrando a equipe neste duelo contra a equipe mineira. Como já ressaltei alhures, os mandantes que têm no torcedor esse incremento em suas forças, certamente perderão pontos importantes enquanto tal realidade permanecer. Foi também o que se viu no confronto entre Fortaleza e Atlhetico Paranaense. Sem o seu torcedor, a equipe cearense acabou sendo derrotada pela boa equipe comandada por Dorival Júnior.
O segundo e o terceiro desfalques se complementam. Ao contrário do Atlético Mineiro, envolvido na disputa estadual, o Flamengo passou mais de 20 dias sem atuar oficialmente. Lembrando o saudoso bicampeão mundial, Didi: “Treino é treino, jogo é jogo”. A falta de ritmo pesou, sobretudo na etapa final. Para agravar a situação, nesse ínterim, se deu o terceiro desfalque no atual campeão brasileiro, ao perder o seu técnico, Jorge de Jesus.
O novo treinador, o catalão Doménec Torrent, chegou há poucos dias no Flamengo. Mesmo que acompanhe o futebol brasileiro, ele ainda não conhece profundamente o plantel que tem nas mãos. O torcedor flamenguista, como todos os demais, imediatista, precisa ter paciência, pois nem todos serão capazes de realizar os “milagres” feitos por Jesus. 
Para terminar, o Flamengo perdeu com um gol contra, mas algo mais inusitado assisti no basquete da NBA, uma cesta “contra” de Tobias Harris do Sixers. Que ano atípico!