Fotografo: Divulgação
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Nove pessoas, sendo uma mulher e oito homens, morreram pisoteadas durante um baile funk na comunidade de Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, na madrugada deste domingo (1º), depois de uma perseguição policial seguida de tiros, segundo a Polícia Civil. Pelo menos 20 pessoas ficaram feridas, e duas foram internadas.
 
Ainda de acordo com a polícia, agentes do 16º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (BPM/M) realizavam uma Operação Pancadão na comunidade – a segunda maior da cidade, com 100 mil habitantes – quando foram alvo de tiros disparados por dois homens em uma motocicleta. A dupla teria fugido em direção ao baile funk ainda atirando, o que provocou tumulto entre os frequentadores do evento, que tinha cerca de 5 mil pessoas.
 
No entanto, a mãe de uma adolescente de 17 anos que estava no local e foi agredida com uma garrafa disse que os policiais fizeram uma emboscada para as pessoas que estavam no baile.
 
A jovem ferida durante a confusão descreveu o momento em que foi atingida. “Eu não sei o que aconteceu, só vi correria, e várias viaturas fecharam a gente. Minha amiga caiu, e eu abaixei pra ajudá-la”, afirmou.
 
“Quando me levantei, um policial me deu uma garrafada na cabeça. Os policiais falaram que era para colocar a mão na cabeça.”
 
Segundo a polícia, equipes da Força Tática, ao chegarem para apoiar a ação em Paraisópolis, levaram pedradas e garrafadas. Os policiais, então, teriam respondido com munições químicas para dispersão. Ainda de acordo com informações da polícia, alguém no meio da multidão disparou um tiro, e houve correria.
 
Durante a confusão, pessoas foram pisoteadas. Elas foram levadas em estado grave ao Pronto Socorro do Campo Limpo. Duas viaturas da PM foram depredadas. O delegado Emiliano da Silva Neto, do 89º DP, afirmou que todas as vítimas morreram pisoteadas e que ninguém foi vítima de disparos.
 
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, a Operação Pancadão tem sido periodicamente realizada em toda a capital “para garantir o direito de ir e vir do cidadão e impedir a perturbação do sossego, fiscalizando a emissão ruídos proveniente de veículos”.
 
Segundo o Corpo de Bombeiros, os nomes dos mortos são:
 
Marcos Paulo Oliveira dos Santos, de 16 anos
Bruno Gabriel dos Santos, de 22 anos
Eduardo Silva, de 21 anos
Denys Henrique Quirino da Silva, de 16 anos
Mateus dos Santos Costa, de 23 anos
Gabriel Rogério de Moraes, 20 anos
Luara Victoria de Oliveira, 18 anos
Homem não identificado 1, de aproximadamente 28 anos
Homem não identificado 2, de aproximadamente 18 anos
 
Segundo o Corpo de Bombeiros, as vítimas que estão internadas são:
 
Miryan de Araújo Macario (lesão na perna)
Giovanna Ferraz da Silva (lesão no rosto)
 
Dados de Paraisópolis
2ª maior favela de São Paulo e 5ª maior do Brasil
10 quilômetros quadrados de área
100 mil habitantes
21 mil domicílios
12 mil moradores analfabetos ou semianalfabetos
31% da população é composta por jovens de 15 a 29 anos, portanto mais vulneráveis à carência de emprego e oportunidades
42% das famílias têm mulheres como responsáveis
Renda média de 87% dos chefes de família é de até 3 salários mínimos
21% da população que tem emprego atua no comércio local
Aproximadamente 10 mil comércios locais
Grande crescimento nos últimos anos
Grandes empresas ingressando no mercado local
12 escolas públicas (estaduais e municipais), uma Escola Técnica Estadual (Etec), um Centro Educacional Unificado (CEU), três unidades básicas de saúde (UBS) e uma unidade de Assistência Médica Ambulatorial (AMA)