Fotografo: Divulgação
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Os produtores brasileiros negociaram 46% da segunda safra de milho 2019/2020 até fevereiro, segundo levantamento da Informa Economics. Em igual período de 2019, o índice estava em 32%.
 
Até o momento, Mato Grosso lidera as negociações, com 60% da produção já vendida. “O fluxo de negócios ocorreu de forma acelerada em Mato Grosso. Os produtores aproveitaram as condições de preços atrativos, que possibilitaram margem positiva de rentabilidade para fixar grandes acordos. Há uma demanda consistente por milho no mercado mato-grossense”, explica o analista de mercado Aedson Pereira.
 
O especialista ainda destaca que as traders e indústrias que atuam no estado anteciparam as compras diante da perspectiva de um aumento na demanda pelo cereal para exportação e até mesmo para outros estados deficitários, como o Rio Grande do Sul. Em seu último levantamento, a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do estado (Emater-RS) estimou perda de 20% na produção de milho nesta safra devido à estiagem. “É capaz que haja grandes fluxos de saída de milho de Mato Grosso para o Rio Grande do Sul, no período de entressafra, em julho”, destaca o analista.
 
Além disso, essa antecipação nas vendas reflete o posicionamento mais estratégico por parte dos produtores, para conseguir valores mais interessantes, e também das empresas.
 
Tendência de preços
Ainda na visão do analista, com a chegada da safrinha de milho ao mercado brasileiro, os preços da commodity podem ser ajustados para baixo. Contudo, as cotações ainda devem permanecer em patamares remuneradores aos produtores rurais, entre R$ 27 e R$ 30 a saca do cereal em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. 
 
“Obviamente iremos depender do potencial que a safrinha irá apresentar nos próximos meses. O foco é a conclusão do plantio e a distribuição hídrica durante abril, para que consigamos enxergar o potencial produtivo. Caso isso se confirme de forma favorável, o preço deve dar aquela ajustada”, afirma Pereira.
 
Outro fator que deve estar no radar dos produtores é o comportamento cambial, que, até o momento, é uma grande incógnita. “Mesmo assim, a conjuntura ainda é muito favorável ao agricultor brasileiro”, finaliza o analista de mercado.