Fotografo: Ascom Abapa
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Ao aterrissar na última quarta-feira, 21, no Oeste da Bahia, a comitiva internacional com representantes de indústrias têxteis, principalmente de países asiáticos, conheceu “in loco” os processos de produção do algodão nas lavouras, beneficiamento e a classificação da fibra comercializada para o mercado internacional. Promovida pelos agricultores brasileiros, por meio da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), a Missão Compradores visa ampliar o espaço das exportações demonstrando a capacidade de produção da fibra com qualidade, sustentabilidade e respeito aos protocolos internacionais para o comércio exterior. A comitiva deste ano conta com cerca de 30 integrantes da China, Bangladesh, Vietnã, Turquia, Paquistão, Índia, Coréia do Sul, além de consultores e observadores internacionais.
 
Um dos articuladores para a vinda dos compradores ao Brasil, o consultor francês radicado na Suíça, Gregoire Negre, destacou a importância desta ação. “Muitas vezes não é suficiente a informação. Eles precisam ver com os próprios olhos as tecnologias e todo o processo de produção da fibra. A interação direta com os vendedores para repassar aos produtores as demandas da fibra que eles precisam possibilitam o fechamento de futuros negócios”, refletiu. Chefe de controle de uma indústria têxtil peruana, Omar Samanez, ficou surpreso com as instalações e a tecnologia empregada nas usinas de beneficiamento, que separa o caroço da fibra de algodão. Ele destacou também a promoção de boas práticas no setor produtivo, como a capacitação dos profissionais do setor agrícola, selo internacional de certificação e projetos que visam o cuidado com o meio ambiente.
 
O vice-presidente de uma companhia têxtil indiana, Lalit Mahajan, também avaliou positivamente o algodão brasileiro. “Antes, achávamos que os laudos gerados pelas análises não eram confiáveis. Ao visitar os laboratórios, especialmente o da Abapa e da UniCotton, foi possível ver que as análises em HVI (High Volume Instrument) são muito bem feitas. Apesar do algodão brasileiro ter uma quantidade um pouco menor de fibras curtas do que o produzido nos Estados Unidos, os agrônomos e técnicos disseram que estão trabalhando em melhoramentos neste sentido. A grande vantagem é que o algodão brasileiro tem menos impurezas que o americano. Diante de tudo o que vimos, estamos muito animados para fechar negócios”, afirmou.
 
Oeste da Bahia
 
Em seu primeiro compromisso, de um roteiro de visita de dois dias, a comitiva desembarcou na Fazenda Acalanto e na Algodoeira Algopar, do Grupo Horita, e seguiu para a Fazenda Warpol e algodoeira do Grupo Busato, ambas localizadas no distrito de Roda Velha, em São Desidério. À noite, eles participaram de um jantar em Luís Eduardo Magalhães, com os produtores de algodão baianos, onde puderam continuar coletando informações sobre manejo, características de solo, clima, safras, beneficiamento e qualidade do algodão baiano. Na quinta-feira, 22, a comitiva visitou o Centro de Análise de Fibras e o Centro de Treinamentos da Abapa, localizadas em Luís Eduardo Magalhães, reforçando as boas práticas das áreas social e de qualidade da fibra desenvolvidas pelos próprios agricultores baianos.
 
“O uso de tecnologia avançada e as boas práticas de manejo têm sido fatores decisivos para o desenvolvimento do algodão produzido no Oeste. Com planejamento e investimento constante conseguimos entregar aos compradores um produto de excelente qualidade”, disse o produtor Walter Horita, um dos produtores anfitriões da Missão Compradores. A Bahia é o segundo maior produtor do país e deve continuar respondendo por 22,1% da produção nacional. No oeste da Bahia, o cultivo é mantido por 150 produtores rurais, que devem produzir este ano mais de 1 milhão e 500 mil toneladas de pluma e caroço de algodão. Nos últimos vinte anos, os produtores da região aumentaram a produtividade de 220 para 300 arrobas por hectare. Ano passado, a produção de algodão já foi a segunda maior da história, quando foram colhidos 1,3 milhão de toneladas (caroço e pluma).
 
Exportações
 
Para o presidente da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) e vice-presidente da Abrapa, Júlio Cézar Busato, esta ação tem sido fundamental para incrementar o comércio internacional de algodão. “Estamos em ritmo de expansão da produção. O Brasil deve produzir um total de 2,8 milhões de toneladas de pluma. Com o nosso mercado interno estagnado, precisamos destravar os gargalos de logística e de divulgação e marketing para incrementar a comercialização para o exterior, principalmente para os países asiáticos. Estamos trabalhando junto ao governo brasileiro para a criação de um escritório na Ásia para vender a qualidade e o compromisso com a sustentabilidade e meio ambiente da produção de algodão brasileira”, afirma Busato, que agradece os produtores que participaram da missão e à família Horita pela recepção na Fazenda Acalanto e Algodoeira Algopar.
 
Atualmente, cerca de 40% do algodão baiano são exportados para países asiáticos, como China, Indonésia, Bangladesh e Vietnã e 60% são comercializados junto à indústrias têxtis no Brasil. Depois da Bahia, a Missão Compradores conheceu a cadeia produtiva do algodão em Goiás, seguindo para Brasília (DF) onde conheceram as instalações do Centro de Referência em Análise de Algodão (CBRA) e a sede da Abrapa, em Brasília (DF), onde se encerraram as atividades na última sexta-feira, 23.