Fotografo: Divulgação
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Sem Legenda

Ainda no final do Império, os engenheiros buscavam garantir para a sociedade brasileira que obras e serviços técnicos, compatíveis com uma tecnologia que, naquela época, pouco a pouco, começava a se desenvolver, fossem executados por profissionais que conhecessem dos assuntos, cada vez mais complexos e com riscos, como o uso universal da eletricidade, edifícios altos, pontes de grandes vãos, barragens importantes para captação de água e geração de energia. Em 1933, Getúlio Vargas baixou decreto, em 11 de dezembro, regulamentando a profissão dos engenheiros. Na próxima quarta-feira a data será comemorada pela 86ª vez.
Meu dentista tem consultório em edifício no Setor Comercial Norte de Brasília. Da cadeira do seu atendimento, no 19º andar, o cliente se distrai, vendo, literalmente, cinquenta por cento da cidade, sua parte norte. O bom projeto do prédio permite esse privilégio. Comentei com o Dr. Afonso Silveira esse aspecto e ainda as excelentes instalações do prédio, que sabia não ser novo. Referi-me à conservação de seus acabamentos originais – internos e externos –, à qualidade dos elevadores, ao número deles, à velocidade adequada a um prédio de grande altura. Em suma, deixei que meu cacoete de engenheiro aflorasse e fiz relatório oral, talvez por ter estado tanto tempo de boca aberta, impedido de falar. Ouvi do usuário e proprietário da sala o comentário que mostrou sua satisfação plena com as condições do seu local de trabalho: “Foi construído pela Encol”.
A citação da marca, como exemplo de qualidade, fez-me lembrar a construtora que chegou pequena a Brasília, vinda de Goiânia, onde teve origem, aí pelo início dos anos 70. Cresceu, tornou-se uma das maiores incorporadoras e construtoras do país, operando em grande número de cidades. Há algumas décadas, por problemas comerciais, deixou de operar. Disso sei pouco. Aqui quero falar de seus engenheiros, para, homenageando-os no Dia do Engenheiro, homenagear todos os profissionais da engenharia pelo seu dia.
A referência do meu amigo Afonso àquela empresa estava diretamente ligada à equipe técnica, aos engenheiros que a empresa reuniu ao longo dos anos. E diga-se, a bem da verdade, com excelente política de valorização dessa equipe. Soluções de engenharia, métodos e processos construtivos que levavam a maior segurança e economia foram continuamente desenvolvidos para suas obras, que estão, até hoje, solidamente plantadas, por onde esses profissionais trabalharam.
Como engenheiro, conheci e privei com a quase totalidade deles, de alguns fui professor na Universidade de Brasília. Esse quadro foi sempre merecedor da admiração e dos elogios daqueles que militavam na área da construção pela responsabilidade e a boa engenharia que desenvolveram em suas rotinas profissionais.
Com os problemas que levaram a descontinuidade das atividades da empresa, a equipe técnica se desfez. Não sei, mas imagino que alguns tiveram problemas financeiros num primeiro momento. Mas com a alta qualificação que tinham foram logo encontrando novos espaços: alguns em outras empresas da área, outros começaram empresas próprias, uns poucos preferiram atuar na consultoria, vendendo serviços especializados, resolvendo problemas e desenvolvendo projetos para a complexa área das grandes construções de empreendimentos comerciais e residenciais.
Por este Dia do Engenheiro quero, lembrando esse grupo de competentes e dedicados colegas, que deixaram pontuados pelas maiores cidades do Brasil empreendimentos seguros, de alta qualidade, confortáveis e belos, saudar a todos os engenheiros, de todas as especialidades. A Engenharia é a economia real, a economia do fazer. Centenas de milhares de profissionais da área tecnológica nas fábricas, nas obras com suas botas enlameadas e capacetes protetores, nos laboratórios de pesquisa, estão prontos para pôr o desenvolvimento deste país, outra vez, em marcha.
O nosso grito de engenheiros é o mesmo que damos às 7 horas da manhã, quando dizemos aos peões, que estão terminando o café: “Chega de conversa, vamos trabalhar!”.
 
Crônicas da Madrugada. Danilo Sili Borges. Brasília – Dez.2019