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Vitória Da Conquista(BA), Sexta-Feira, 21 de Janeiro de 2022 - 18:26
27/11/2021 as 15:11 | Por Luiz Henrique Borges |
O que vale é o título
Artigo Esportivo
Fotografo: Divulgação
Sem Legenda

As duas últimas semanas foram de grande expectativa para mim. Sou torcedor do Botafogo e fui tomado respectivamente por um misto de euforia e de angústia, aguardando o retorno à Série A. O ditado afirma que algumas coisas só acontecem com o Botafogo, por isto, ao contrário de outros torcedores, só conto com as favas contadas quando elas estão matematicamente garantidas. As estatísticas que explodem nos jornais sobre as chances de acesso, de título e de rebaixamento, me geram mais apreensão do que alívio. 

No segunda-feira, dia 15/11, feriado da Proclamação da República, segui o roteiro que caracteriza o Botafogo: nada é fácil e sem muito sofrimento. Apesar dos números colocarem o alvinegro praticamente na Série A, o gol do Operário de Ponta Grossa, logo no início do segundo tempo, me deixou de “cabelo em pé”, se é que isto é possível uma vez que a queda capilar é uma das minhas heranças genéticas.

A sensação de se afogar tão próximo da praia foi afastada quando a equipe empatou o jogo com Pedro Castro e ela se transformou em euforia com o gol da virada de Rafael Navarro. O retorno a elite do futebol nacional agora era, literalmente, favas contadas.

O ano de 2021 guardou emoções fortes e conflitantes. Em decorrência da pandemia da Covid-19, o Brasileirão de 2020 só finalizou em março deste ano. O desânimo da equipe nas últimas rodadas do Brasileirão, a ausência de tempo para montar e preparar o novo elenco uma vez que as temporadas ocorreram de forma ininterrupta e a gravíssima situação financeira em que o Botafogo se encontrava (e ainda se encontra) não me pareciam auspiciosas e, naquele momento, já me contentaria em uma posição mediana na tabela da Série B.

Após o fraco Campeonato Carioca e os resultados obtidos até a 13º rodada do primeiro turno da Série B minhas inquietações se agravaram uma vez que o alvinegro flertava perigosamente com o rebaixamento para a terceira divisão. Preciso confessar que a troca de treinadores, saída de Chamusca e a chegada de Enderson Moreira, não me trouxe grande alento naquele instante. Errei! Errei muito! Sem mudanças no plantel, o novo treinador melhorou a equipe taticamente, utilizou de forma mais eficiente os atletas disponíveis, colocou em campo lideranças identificadas com o clube, como o zagueiro Joel Carli e, com os resultados obtidos, trouxe de volta a confiança aos jogadores e aos torcedores.

Como o acesso garantido e conquistada a liderança da competição, a partida contra o Brasil de Pelotas no estádio Bento Freitas poderia garantir o bicampeonato da Série B do Botafogo. Mesmo sem brilho, o alvinegro fez o suficiente para derrotar o seu adversário. O solitário gol do botafoguense Diego Gonçalves acrescido da derrota, em casa, do Coritiba para o CSA, garantiram a taça para o Botafogo.

Muitos torcedores reduzem as conquistas em campeonatos menos prestigiados, no entanto, título é sempre título e cada um deve comemorar as vitórias conquistadas ao nível em que sua competência lhe permite. Para o Botafogo, no cenário atual, este é o triunfo possível e, deve-se ressaltar, que deixamos para trás concorrentes tradicionais como o Cruzeiro e o Vasco da Gama.

Novos desafios se avizinham e a diretoria do alvinegro me parece muito consciente. Ela pretende manter o elenco e contratar reforços pontuais. O principal objetivo é garantir a permanência, sem muitos sustos, na Série A ao final de 2022.

Corações palmeirenses e flamenguistas devem estar acelerados. Hoje, dia 27 de novembro, conheceremos o campeão da Libertadores de 2021. É o segundo ano consecutivo de domínio brasileiro. Desta vez, contudo, espero que o confronto entre Palmeiras e Flamengo, em Montevidéu, seja muito mais emocionante e agradável de assistir que o sonolento jogo disputado no Maracanã entre Palmeiras e Santos que definiu o campeão de 2020.

Oxalá permita que Flamengo e Palmeiras apresentem a mesma qualidade técnica e o mesmo nível de intensidade que foram capazes de nos proporcionar na final que disputaram em abril de 2021 pela Supercopa do Brasil, título disputado entre o Campeão Brasileiro e o Campeão da Copa do Brasil.

Em outros momentos, apontaria o Flamengo como favorito em Montevidéu. Individualmente, considero o plantel da equipe carioca superior tecnicamente e com atletas mais decisivos do que os de seu perigoso adversário. No entanto, taticamente vejo uma equipe menos organizada do que outrora e, por isso mesmo, mais dependente de suas individualidades.

O Palmeiras de Abel Ferreira, por sua vez, é um time muito equilibrado, qualidade sempre buscada pelo treinador lusitano. A equipe paulista voltou a mostrar a costumeira eficiência defensiva com a inversão de seus zagueiros e continua perigosa nos contra-ataques. Isto não significa que ela seja retranqueira. Percebo semelhanças, sem querer comparar os elencos, no estilo pragmático adotado pelos clubes vitoriosos comandados por José Mourinho e pelo Palmeiras de Abel Ferreira.

O jovem treinador português terá a oportunidade de ganhar duas Libertadores seguidas, o que não ocorre desde o Boca Juniors de Carlos Bianchi de 2000 e 2001. Caso conquiste o título ele terá a companhia apenas de Luís Alonso Peréz e Telê Santana. Eles são os únicos treinadores de clubes brasileiros que conquistaram o bicampeonato seguido da competição continental. Peréz, em 1962 e 1963, comandando o Santos de Pelé, e Telê Santana pelo São Paulo em 1992 e 1993. Paulo Autuori e Luiz Felipe Scolari são outros dois treinadores brasileiros bicampeões da Libertadores, mas os títulos não foram em anos consecutivos e também ocorreram em equipes distintas.

Como esperado e seguindo as regras da prudência, os dois finalistas da Libertadores entraram com equipes alternativas para seus confrontos no Brasileirão no meio de semana. O maior “prejuízo” foi o do Flamengo que desperdiçou ótima oportunidade de reduzir sua diferença para o líder, Atlético Mineiro, após abrir dois gols de vantagem e ter um jogador a mais contra o desesperado Grêmio. O clube mineiro visitou o Palmeiras e empatou também por 2X2 e, faltando apenas 4 rodadas, manteve a confortabilíssima diferença de 8 pontos para o rubro-negro.

Neste final de ano, ao que parece, Papai Noel será alvinegro. O Botafogo já é campeão da Série B e o Atlético Mineiro, a cada rodada, pavimenta o caminho para, após 50 anos, vencer o Brasileirão.

 




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