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Um levantamento realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) em parceria com a empresa de inteligência de dados Decode concluiu que a adesão ao bolosnarismo é bastante relevante entre os policiais militares e parte considerável da categoria utiliza as redes sociais para páginas e grupos de defesa ao presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido). O estudo revela que 41% dos PMs de baixa patente, que inclui soldados, cabos e subtenentes, interagem politicamente com o chefe do Executivo brasileiro.
 
Divulgada com exclusividade pelo UOL, a pesquisa revela ainda que a penetração do bolsonarismo é bem menor entre os policiais civis e federais. 
 
Entre os policiais apoiadores de Bolsonaro, há uma parcela que defende, inclusive, pautas mais radicais, a exemplo da ideia de fechamento do Supremo Tribunal Federal. Nesta questão específica, o apoio é atestado por 12% dos PMs, 7% dos policiais civis e 2% dos policiais federais. Isso representa um contingente de mais de 95,8 mil agentes de segurança pública dispostos a colaborar, segundo cálculo feito pelo UOL com base nos dados do estudo.
 
Para chegar ao resultado, os pesquisadores listaram, com base em informações dos portais de transparência dos estados e da União, 885.730 policiais da ativa ou aposentados. Localizaram então os perfis no Facebook de 141.717 policiais. Foram então sorteadas como uma amostra 879 contas, obedecendo regras estatísticas semelhantes às usadas em pesquisas eleitorais, e mapeadas as interações públicas desses policiais em grupos e páginas.
 
Entre os policiais brasileiros, são os PMs que adotam com mais frequência discursos contra os direitos humanos e de teor homofóbico, segundo apontam os dados coletados no estudo. Segundo o levantamento, os comentários contrários às pautas LGBTQ+ são os mais frequentes entre eles. O percentual é de 24% de todas as interações feitas por PMs tinham conteúdo homofóbico. 
 
Por outro lado, o estudo identificou que há um grupo de policiais se manifestando em defesa de pautas progressistas nas redes sociais, como condenação à violência contra a mulher e combate à violência policial. Esse tipo de posicionamento em apoio a causas sociais, geralmente identificadas com a esquerda. Foi constatado em 12% dos perfis de policiais civis, 6% dos PMs e 3% dos policiais federais.