Fotografo: Divulgação
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Sem Legenda

Por:  Bruno Luiz, Tiago di Araújo e Yasmin Garrido

O humor que diverte milhares de baianos em cima dos palcos esconde os problemas vividos pelo ator Pisit Mota com a Justiça e com a polícia. Ele é acusado pela ex-mulher, Mariana de Oliveira Faria, de agressão física e ameaças de morte. Alvo de medida protetiva determinada pelo Judiciário baiano, o humorista usa tornozeleira eletrônica, está proibido de fazer qualquer tipo de contato com Mariana, é obrigado a manter distância mínima de 200 metros dela e não pode frequentar locais nos quais a ex-companheira esteja presente, principalmente sua casa e seu local de trabalho. Ao BNews, o humorista negou as acusações.

Pisit recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) com pedido de habeas corpus para derrubar as restrições e também a decisão judicial, de junho deste ano, que o obrigou a ser monitorado eletronicamente por 90 dias, para acompanhamento do cumprimento das medidas protetivas. Na Corte, ele tenta a última cartada, já que suas solicitações foram negadas em segunda instância no Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), inclusive em órgão colegiado, pela Sexta Turma. O ator alega que o monitoramento é ilegal e está prejudicando seu trabalho, “mesmo sem ter praticado qualquer ilícito.” Nesta quinta-feira (12), no entanto, disse ao site que não está usando o equipamento. Mariana negou e afirmou que ele ainda está com a tornozeleira. Procurada, a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap) não respondeu se Pisit continua sendo monitorado ou não.

Segundo documentos do processo, obtidos pela reportagem, as ameaças de morte relatadas pela ex-mulher começaram após outubro de 2018, quando o casal se separou. No entanto, agressões físicas aconteceram antes, “diversas vezes”. Uma das ocasiões levou Mariana a registrar boletim de ocorrência e fazer exame de corpo e delito. Outras notificações de crimes chegaram a ser feitas à polícia por ela, do fim do ano passado até agora.

No pedido de adoção das medidas protetivas feito à Justiça pela Defensoria Pública da Bahia (DP-BA), a ex-companheira do ator relata que, além das agressões físicas, era xingada de termos como “escrota”, “puta” e “filha da puta” por ele. A peça fala sobre outros supostos episódios de agressividade envolvendo o humorista. 

“Quando o filho do casal completou 6 (seis) meses, o Requerido [Pisit] agrediu fisicamente a mesma pela primeira vez, com um soco no braço. Depois disso, os atos de violência passaram a ser frequentes. Em junho de 2016, o Requerido espancou a Requerente [Mariana], ela registou boletim de ocorrência e fez exame de corpo de delito”, diz a petição. A atitude que teria sido o estopim da separação teria ocorrido em 4 de outubro do ano passado, quando ele, com um pedaço de madeira nas mãos, teria ameaçado atingi-la com o objeto. 

O primeiro B.O. feito por Mariana foi em janeiro deste ano, quando Pisit esteve na casa dela para buscar o filho, de quatro anos, e teria feito filmado-a, além de dizer que estava sabendo que a ex-mulher teria contratado um homem para matá-lo. Com base nesses fatos, a juíza Ana Queila Loula justificou a necessidade da concessão das medidas, em decisão de 8 de fevereiro deste ano. 

“Há prova inequívoca da verossimilhança de que vem sendo submetida a constrangimento e insultos por parte do requerido, através de ameaças de morte e xingamentos com palavras de baixo calão, o que tem incutido-lhe medo e violado sua integridade psíquica e moral”, avaliou a magistrada na época.

Após a determinação, Mariana voltou a recorrer à Justiça para estender as restrições ao filho do casal. Em julho, pediu que a escola da criança fosse incluída como área proibida de aproximação do ex-marido, com ampliação da monitoração eletrônica para o local. Em agosto, uma petição da DP-BA reiterou o pedido, após a vítima fazer novo B.O. para relatar que Pisit havia violado a decisão judicial ao mandar mensagens em seu número de WhatsApp. A solicitação de Mariana, no entanto, ainda não foi atendida.

O outro lado
Em entrevista ao BNews, o humorista Pisit Mota disse que as acusações da ex-mulher são motivadas por uma disputa que os dois travam na Justiça pela guarda da criança. Mariana tem o desejo de levá-la para morar com ela no Japão, mas não recebeu autorização do pai, o que a impede, pela lei, de se mudar. Ainda segundo ele, a ex-mulher tentou dar “um golpe da gringa”, para fazer várias acusações ao pai, viajar e responder o processo do exterior. 

“A distância geográfica é uma exclusão paterna para uma criança de quatro anos. Só que minha assessoria jurídica conseguiu um agravo no Tribunal que proíbe ela de viajar, e o intuito dela é realmente esse, ter um escândalo, para rolar uma demissão do pai, o pai ficar quebrado, não ter condições de assumir a criança e ela viajar com a guarda”, afirmou. 

Pisit afirmou também que a ex-mulher tenta usar a Lei Maria da Penha para prejudicá-lo como pessoa pública e que jamais cometeu qualquer tipo de agressão contra ela.

“Qual é a família que vai no show de um humorista que bate na mulher? Qual é a escola que vai dar emprego a um professor, um educador [também profissão do humorista], um especialista em violência no ambiente educacional, que agrediu a mulher? Então, foi proposital”, acusou.

“Eu tenho os laudos provando que nunca houve nenhuma agressão, exatamente porque eu sou um cara que milita a favor das mulheres, eu sou contra a qualquer tipo de agressão à mulher, sou especialista em violência no ambiente educacional, dou aula sobre isso, falo sobre isso o tempo inteiro”, defendeu-se. 

Procurada pela reportagem, Mariana de Oliveira Faria disse que preferia entrar contato com sua advogada antes de falar sobre o assunto, mas declarou que a “justiça está sendo feita”. “Todo machista abusador acaba dizendo sempre as mesmas coisas. Graças a Deus, eu percebi o relacionamento em que eu estava”, falou.