Fotografo: Reprodução
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O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), arcebispo dom Walmor, declarou que a interrupção legal da gravidez realizada na menida criança de 10 anos vítima de estupro no Espírito Santo é um "crime hediondo". Segundo o religioso, "o aborto não se explica".
 
 
 
A criança era vítima de estupros havia quatro anos e o caso chegou ao conhecimento da polícia no dia 8 deste mês, quando ela deu entrada num hospital público da cidade com suspeita de gravidez. Segundo exames, a garota estava grávida de 22 semanas e quatro dias. A criança realizou aborto legal, com respaldo da justiça, e passou por procedimentos no domingo (16) e nesta terça-feira (18) o responsável pelo abuso foi preso (veja aqui). 
 
 
 
De acordo com o Uol, Walmor foi eleito para presidir a CNBB há pouco mais de um ano e a sua chegada ao cargo foi apoiada por simpatizantes do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). O youtuber bolsonarista Bernardo Pires Küster sinalizou a época que a nova gestão seria mais voltada a ala conservadora da igreja católica, sem se envolver com grupos LGBTQ ou movimentos sociais.
 
 
 
Em nota, o líder religioso comparou o abuso sexual à criança com o procedimento determinado pela Justiça para assegurar a saúde da criança. “Dois crimes hediondos. A violência sexual é terrível, mas a violência do aborto não se explica, diante de todos os recursos existentes e colocados à disposição para garantir a vida das duas crianças. As omissões, o silêncio e as vozes que se levantam a favor de tamanha violência exigem uma profunda reflexão sobre a concepção de ser humano”, escreveu.