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Vitória Da Conquista(BA), Terça-Feira, 30 de Novembro de 2021 - 19:06
22/11/2021 as 01:31 | Por Veja |
Prévias escancaram racha no PSDB; Dória fala em ‘processo de depuração
Eduardo Leite rebate e diz que eventual candidatura de Dória, por ter alta rejeição do eleitor, inviabilizaria chances do PSDB em 2022
Fotografo: Divulgação/Divulgação
Os tucanos Eduardo Leite, Aécio Neves e João Doria

Passava pouco das oito horas da noite deste domingo, 21, quando o governador de São Paulo João Dória e o ex-prefeito Arthur Virgílio vieram a público após a tumultuada votação – suspensa por volta das 18 horas – das prévias do PSDB, que tinham como objetivo escolher o candidato tucano à Presidência da República. As declarações que se seguiram – de ambas as partes – escancararam o racha dentro do partido, que tem representantes a favor de uma candidatura própria, apoiadores de se abrir mão de uma cabeça de chapa caso um outro representante da terceira via se mostre mais viável e mesmo altos dirigentes que consideram a ideia se emplacar a candidatura a vice de alguém mais competitivo.
 
Internamente, o PSDB já sabia que era preciso ter um plano B caso o aplicativo desenvolvido para que cerca de 45.000 tucanos escolhessem o presidenciável do partido não funcionasse a contento. O projeto de uma votação alternativa, no entanto, não se viabilizou, e o fato de o programa ter sido feito em uma universidade de Pelotas, cidade onde o terceiro candidato nas prévias, Eduardo Leite, foi prefeito, apenas serviu de fermento para as críticas de Dória e Virgílio após a suspensão das prévias. Entre os correligionários, não conseguiram votar autoridades como Fernando Henrique Cardoso, José Serra, a senadora Mara Gabrilli e o próprio candidato Arthur Virgílio.
 
Ao se manifestar após a suspensão das prévias, Dória atacou “aqueles que querem melar as prévias do PSDB” e defendeu que o processo de escolha do candidato da sigla na corrida presidencial seja concluído no próximo domingo. Desafeto declarado do deputado e ex-presidente tucano Aécio Neves, o governador de São Paulo disse que “o PSDB vai passar naturalmente por um processo de depuração e isso está absolutamente claro durante o processo das prévias”. O recado não poderia ser mais claro: Aécio defendia que a legenda avaliasse a possibilidade de não ter candidato próprio em 2022 e direcionasse o caixa partidário para a formação de uma bancada robusta na Câmara dos Deputados, já que nos últimos anos os tucanos vêm perdendo seguidamente relevância como força de contraposição ao PT. Neste cenário, Leite seria apresentado como um possível nome a vice, o que ele nega publicamente.
 
“O PSDB será melhor sendo um partido transparente, um partido de oposição ao atual governo, como aliás foi definido e não é plenamente praticado, do que ser um partido em uma dimensão onde as divergências impeçam que ele tenha respeitabilidade e a dimensão que sempre teve”, disse Dória, para, na sequência, emendar que o aplicativo alvo de panes neste domingo é “circunstancialmente é de Pelotas, no Rio Grande do Sul”, berço eleitoral de Leite, candidato apoiado por Aécio nas prévias.
 
O ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio, que embora também seja pré-candidato tem feito dobradinha com Dória, foi ainda mais explícito nos ataques ao principal cabo eleitoral de Eduardo Leite. “É natural que nos unamos para impedir que a mediocridade e a mesmice tomem conta de uma vez por todas do PSDB. (…) Temos uma bancada que tem se comportado como bolsonarista nas mais importantes votações. Considero o PSDB um caminhão de maçãs boas, mas uma está estragando bastante as outras. E eu dou nome e sobrenome, Aécio Neves”, criticou.
 
Segundo Virgílio, Eduardo Leite, ao longo do dia, propôs que as prévias fossem retomadas apenas em fevereiro, o que foi negado pelo governador do Rio Grande do Sul. Ladeado pelos senadores Tasso Jereissati e José Aníbal – e sem a presença de Aécio – Leite defendeu que o processo de escolha do candidato tucano seja concluído em 48 horas e disse que o alto nível de rejeição de João Dória entre o eleitorado pode tornar proibitiva a participação tucana no pleito de 2022. Conforme mostrou VEJA, os índices de repulsa do eleitor aos principais postulantes na cadeira presidencial atingiram níveis recordes e mobilizaram as campanhas dos presidenciáveis a tentar reverter a aversão do brasileiro à classe política.
 
“Vou exigir um processo limpo de transparente. O PSDB tem que ter candidato que seja a cara do partido, e não o partido se tornar a cara do candidato pelas suas especificidades. As pesquisas acreditam que nossa candidatura é mais viável do que a do nosso principal adversário. A rejeição inviabiliza essa candidatura [de Dória]”, afirmou Leite antes de participar ainda na noite deste domingo de uma reunião onde os candidatos e a cúpula partidária decidirão quando ocorrerão os novos capítulos das prévias.




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