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Vitória Da Conquista(BA), Quinta-Feira, 29 de Outubro de 2020 - 14:27
19/09/2020 as 13:58 | Por LuizHenriqueBorges | 1188
Quem fala demais dá bom dia a cavalo e outros ditados populares
Artigo
Fotografo: Divulgação
Sem Legenda

O ser-humano costuma ser extremamente loquaz, muitas vezes, acima do recomendável e do prudente, ganhando até ares de deboche, sobretudo quando os ventos sopram favoravelmente. Tal característica não é exclusividade de jogadores de futebol ou de atletas, ela se faz presente nas mais diferentes profissões. Tão frequentes são os exemplos da verborragia, que se multiplicam ditados populares para tentar, em vão, conscientizar as pessoas que em “boca fechada não entra mosca, nem sai besteiras”, ou “quem fala demais dá bom dia a cavalo”.

Nesta semana, Thiago Neves, que jogou por vários clubes brasileiros, inclusive rivais como o Fluminense e o Flamengo, “morreu pela boca”, assim como o peixe. Nunca o considerei um craque, no máximo um bom jogador, mas sua passagem pelo Cruzeiro foi muito positiva, exceto pelo último ano quando “caiu em desgraça” com os torcedores e se viu como um dos responsáveis, senão o principal, pelo inédito rebaixamento do clube mineiro.

Durante o período vitorioso e o mais feliz na Toca da Raposa, Thiago Neves diversas vezes expressou sua loquacidade contra o Atlético e seus torcedores. São inúmeras as entrevistas e também vídeos em que o jogador alude aos títulos conquistados pelo Cruzeiro, mas como todo bom tagarela, ele não foi precavido e, como se não bastasse sua soberba, resolveu desmerecer o grande rival mineiro. O pior, na contemporaneidade das redes sociais, tais arroubos são gravados, filmados e voltam a ganhar publicidade a qualquer momento, em uma clara reconfiguração do ditado “escreveu, não leu, o pau comeu”.

Percebo que a vivência de Thiago Neves no futebol não o ensinou algumas coisas básicas e “o pior cego é aquele que não quer ver”: o torcedor é movido pela paixão e não pela razão. Quando as vitórias acontecem ele se regozija com os deboches provenientes de seus ídolos, contudo, estes possuem pés de barro, basta um momento ruim, uma derrota inesperada, para não falar de um inédito rebaixamento, para que toda a idolatria se escorra rapidamente pelo ralo. E foi isso o que aconteceu com o Thiago Neves, além das inúmeras polêmicas que envolveram seu nome, ocorreu o melancólico episódio do pênalti perdido contra o CSA que praticamente definiu a situação do Cruzeiro no Brasileirão de 2019.

Os exemplos dos ídolos de pés de barro se multiplicam ao infinito, ainda na última semana a campana e as agressões sofridas por jogadores como o Cássio, o Fagner, o Jô no desembarque do Corinthians em São Paulo, após ser este derrotado pelo Fluminense, por um grupo da Gaviões da Fiel, apenas reforçam o que foi dito acima. Para os torcedores, “águas passadas não movem moinhos”, o que vale é o presente, que obrigatoriamente precisa ser vitorioso.

Após a decepcionante saída do Cruzeiro, Thiago Neves foi jogar no Grêmio, contudo, ao contrário do que ocorreu com outros jogadores desacreditados que desembarcaram em Porto Alegre, Renato Gaúcho não foi capaz de reinventar o atleta que acabou tendo seu contrato rescindido.

Neste momento, algum “genial” dirigente do Atlético Mineiro sugeriu sua contratação, ao que parece com o aval do sempre insatisfeito e insaciável por reforços, Jorge Sampaoli, técnico argentino da equipe alvinegra. Encaminhava-se sua contratação, quando a torcida atleticana se fez ouvir pelos mais diversos canais. De protestos na sede do clube às redes sociais, ela bradava sua contrariedade com a aquisição do atleta. Em pouco mais de uma hora, o contrato que estava certo deixou de existir e Thiago Neves não envergaria mais a também gloriosa camisa do alvinegro de Minas Gerais.

Se em todas as profissões é importante a precaução, na curta vida útil de um jogador de futebol essa afirmação se torna ainda mais gritante. Como diria meu pai: “prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém”. Os atletas deveriam, ao invés de correr atrás, independente da forma, em muitos casos de forma pouca ética, de um novo e vantajoso contrato, sair dos seus clubes pela “porta da frente”, para que ela permaneça aberta no futuro, pensando nisso, também não deveriam despertar a ira dos rivais.

Como profissionais, juras de amor pelo clube atual ou ataques frontais aos adversários não passam de confetes atirados para a torcida, porém, as palavras e os atos não são facilmente esquecidos, especialmente por aqueles que se sentem atingidos e a cobrança poderá ocorrer com juros e correção monetária e quando isso acontece, como se deu com o personagem principal da crônica, “não adianta chorar sobre o leite derramado”.

Não sei se o Thiago Neves teria ainda clima para continuar no Cruzeiro após a pífia campanha de 2019, contudo, penso que, especialmente após a conquista da independência financeira, mais vale ser ídolo de uma torcida do que mais uns “trocados no bolso”. O que quero dizer com isso amigo leitor, eu teria adequado o meu contrato para continuar no clube e fazer parte da campanha para o possível acesso a elite do futebol brasileiro. Tais atitudes ajudam a moldar de forma mais firme os pés de barro do ídolo e a transformá-lo em inesquecível para os torcedores.

 




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