Fotografo: Drew Angerer / AFP
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Sem Legenda

 As lideranças governistas no Senado dos EUA conseguiram evitar o último obstáculo para a absolvição de Donald Trump no processo de impeachment ligado às suas questionáveis relações com a Ucrânia. Por 51 votos a 49, os parlamentares negaram a proposta de permitir a convocação de novas testemunhas, ponto central da estratégia de acusação dos democratas.
 
O primeiro nome cogitado era o do ex-conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton — segundo trechos de um livro sobre seus pouco mais de 500 dias na Casa Branca, revelados pelo New York Times, o embaixador afirma que o presidente usou a suspensão de uma ajuda militar à Ucrânia para forçar o governo local a investigar os negócios do ex-vice-presidente, Joe Biden, no setor de energia do país. Trump rejeita as acusações.
 
Essa pressão é o ponto central do caso: de acordo com a investigação conduzida pela Câmara dos Deputados, o presidente queria "achar sujeiras" sobre Biden para usá-las durante a campanha presidencial — o ex-vice-presidente é um dos favoritos para obter a indicação do Partido Democrata. Para isso, Trump exerceu pressão direta sobre o presidente Volodymyr Zelenski, incluindo uma infame ligação telefônica em julho do ano passado, e montou um canal "alternativo" com o governo ucraniano para tentar garantir o processo, que jamais saiu do papel.
 
As revelações deram força aos planos dos democratas para chamar novas testemunhas. Em minoria na Casa (53 a 47, além de 2 independentes), eles precisavam do apoio de pelo menos quatro senadores republicanos, o que parecia extremamente possível entre terça e quarta-feira. Mas uma ofensiva liderada pelo líder da maioria, Mitch McConnell, minou esses planos, mudando a opinião de quase todos os "dissidentes". Apenas dois governistas votaram com a oposição: Susan Collins e Mitt Romney, um velho algoz do presidente. Todos os democratas e independentes apoiaram a moção derrotada.
 
Antes da votação, o ex-chefe de Gabinete de Trump, John Kelly, disse que um julgamento sem testemunhas é um "trabalho feito pela metade".
 
"Se eu estivesse aconselhando o Senado dos EUA, eu diria: 'se você não der uma resposta a 75% dos eleitores americanos e permitir testemunhas, é um trabalho feito pela metade", afirmou à NJ Advance Media. Kelly se referia a uma pesquisa da Universidade Quinnipiac, divulgada esta semana, mostrando que três quartos dos americanos defendem novos depoimentos.
 
John Bolton é conhecido por sua ojeriza aos democratas, porém se mostrou disposto a falar. Segundo pessoas que tiveram acesso ao livro, que tem lançamento previsto para março, o ex-conselheiro tem informações que podem ser extremamente danosas ao presidente. Com o veto à sua presença no Senado, alguns democratas articulam sua convocação na Câmara, onde falaria em uma das comissões controladas pelo partido.
 
Julgamento na próxima semana
Além do voto sobre as convocações, os senadores discutem os próximos e quase protocolares passos do julgamento. Havia a expectativa de que tudo pudesse ser decidido ainda nesta sexta-feira, com a Casa votando as duas acusações, de abuso de poder e obstrução do Congresso. Contudo, uma iniciativa de Mitch McConnell pode empurrar o fim do processo para a semana que vem.
 
O plano dele prevê que a próxima sessão aconteceria na segunda-feira, dando à defesa e à acusação espaço para que façam as considerações finais. Os senadores também devem ter direito a se pronunciar, uma forma de marcar posição antes das eleições de novembro, quando estarão em disputa 33 assentos na Casa. Só depois disso aconteceria o voto final.
 
Mas o líder da minoria, Chuck Schumer, disse que ainda não há acordo. Por outro lado, se mostrou contrário a decisões e votações apressadas.
 
— Não queremos que isso (impeachment) seja apressado. Não queremos que seja feito na calada da noite — afirmou Schumer.
 
Os senadores estão em recesso para discutir esses passos, e podem retornar ao plenário ainda na noite desta sexta-feira.
 
Para a Casa Branca, o cenário perfeito incluiria uma provável absolvição antes de terça-feira, quando Donald Trump fará seu discurso do Estado da União, o último de seu atual mandato. Salvo uma reviravolta de última hora, o presidente deve falar ainda na condição de réu no julgamento, mas funcionários da Presidência afirmaram à rede NBC que "aceitariam" o fim do processo na quarta-feira.