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TEORIAS CONSPIRATÓRIAS
Reagir com as armas que dispusermos sempre que oprimidos. Definido o inimigo, de peito aberto, ou de modo solerte, reunimos forças para investidas no sentido de derrotá-lo ou de desmoralizá-lo, divulgando aos quatro ventos o que sabemos de suas maquinações e de suas fraquezas. Isso é da guerra, de qualquer guerra.
Teorizar sobre o inimigo, sobre suas razões, estratégias e objetivos é consequência da melhor das capacidades da espécie: a inteligência.
Estamos passando por período de restrições nestes meses em que a Covid-19 aportou por aqui. Nosso humor tornou-se rascante, a serenidade perdeu-se pelas noites mal dormidas e a liberdade de andarmos ao léu transformou-se em prisão injusta e sem culpa.
Não temos meios de sair da defensiva. As armas de guerra, que com tanto zelo guardamos nos nossos arsenais, prontas para destruir o planeta, são ineficazes para causar danos ao SARS-CoV-2, que nos acua.
A defesa eficiente e o posterior ataque ao agressor estão sendo objeto de estudos nos laboratórios das universidades e nos institutos de pesquisas biológicas pelo mundo. Por hora, o que nos resta é nos escondermos e tentar perceber quais são os objetivos do inimigo. Daí o surgimento de hipóteses para explicar os porquês do que nos angustia. Essas tentativas de entender o que nos oprime levam às Teorias Conspiratórias. Quimeras, devaneios construídos no afã de controlarmos o processo que foge ao nosso mando.
Como não há muitos fatos concretos sobre os quais tecer essas teorias, elas são elaboradas a partir da visão do mundo multifacetado de cada um. Isso conduz, até, a que algumas sejam, na essência, paradoxais, como a esposada pela dupla dinâmica Trump e Bolsonaro – este infectado, no momento, pelo coronavírus – de que o organismo patológico foi criado pelos cientistas chineses para infectar o mundo e ao mesmo tempo afirmam que a doença é banal, uma gripezinha. Quanto à segunda hipótese, a realidade logo mostrou o quanto estavam errados. Seria a pandemia resultado de ação humana deliberada, para atingir fins nada confessáveis? E aí seria um crime!
Há os que veem o mundo rachado, numa espécie de Tordesilhas ideológica, em duas metades, em duas ideologias, e concluem que os países governados pela boa metade – aquela da qual é adepto – está se saindo melhor no combate à praga, para justificar sua paixão fundamentalista, sua fé nessas religiões modernas, nos seus dogmas, nos seus deuses e sacerdotes. O mesmo homem crédulo de sempre, através dos tempos.
Circulam também as teorias de fundamentação racial, que concluem que em regiões com predomínio de determinadas “raças” ocorrem menor número de incidências e óbitos por covid-19. E concluem: Raça mais forte, predisposição natural para sobrevivência a cataclismos.
Torcem estatísticas e esquecem fatores que não lhes convêm, como sonegação de dados por ditadores de todas as cores e bandeiras.
Em prisão domiciliar nos últimos quatro meses, decretada por minha mulher e executada por filhos, neta e genro, cogito. É o que me resta. Vou fundo! Quem é o autor deste atentado? Quais seus motivos? Sempre há razões para o que acontece. No isolamento que me impuseram, vesti-me de agente da PF ou de Procurador da República, com mais liberdade funcional até que os concursados e falei para mim mesmo: vou pensar como eles: “Para descobrir os autores dos crimes, siga o dinheiro”.
Tudo foi ficando mais claro. Quem ganha mesmo com a pandemia que mata, seletivamente, os velhos? Para jovens ela não passa de gripezinha ou de nada, pois 80% não chegam a ter sintomas. E de um sopapo concluí: a Previdência Social, que apesar dos cortes, não resolveu tudo; o Sistema de Saúde Pública, igualmente vítima, como os que não consegue atender dignamente e os Planos de Saúde, que estão sempre procurando se livrar dos idosos, esquecendo-se que os velhos de hoje pagaram por toda vida suas mensalidades quando jovens.
Daí foi fácil imaginar a reunião entre os responsáveis no governo por essas áreas, com o criador de morcegos gigantes, dono da barraca no mercado de Wuhan e com o cientista venal do competente Instituto de Virologia da cidade, contratado, por milhares de dólares, para fabricar o corona, que virá resolver os problemas que os políticos brasileiros não deram conta.
Teoria conspiratória de mais um domingo trancafiado!
Crônicas da Madrugada. Danilo Sili Borges. Brasília – Jul.2020
danilosiliborges@gmail.com