Fotografo: Reprodução
...
Divulgacao

Neste domingo (9) o Dia Internacional dos Povos Indígenas, enquanto cresce o número de mortes em aldeias em virtude da covid-19 e crescem as denúncias contra o governo federal, inclusive no Tribunal de Haia, sobre o desrespeito à vida indígena.
 
Lideranças indígenas acusam o presidente Jair Bolsonaro de não ter tomado as medidas emergenciais necessárias para proteger seus povos da covid-19. Além disso, essas comunidades estariam ainda mais vulneráveis à pandemia por causa de ações de governo anteriores à chegada da doença, como a redução do programa Mais Médicos, o fim das demarcações de terras indígenas e o apoio de Bolsonaro às atividades ilegais praticadas em seus territórios por invasores, como o garimpo e a extração de madeira.
 
Segundo Antonio Eduardo Cerqueira, secretário executivo do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), não há muitos motivos para celebrar o Dia Internacional dos Povos Indígenas no Brasil.
 
"A maioria dos povos indígenas hoje está vivendo sob o risco extremo e, ao mesmo tempo, ocorre um processo de violência institucional contra os seus direitos. O atual governo tem implementado uma política de desconsiderar o indígena e, ao mesmo tempo, de cortar o diálogo e toda a política de atenção aos direitos dos povos indígenas no Brasil, incitando a sociedade contra esses povos. Portanto, se agravou a invasão dos territórios e, ao mesmo tempo, chega o contágio por coronavírus que já vitimou mais de 600 indígenas", disse Antonio Eduardo Cerqueira à agência de notícias Sputnik Brasil.
 
O indigenista condenou a política "integracionista" do atual governo federal, que busca que o índio desocupe os seus territórios para que a iniciativa privada explore suas riquezas. Assim, o "índio tem que deixar de ser índio", alegou o entrevistado, classificado a postura de colonizadora.
 
"É um governo extremamente autoritário, racista, preconceituoso e que tem feito uma política totalmente contrária à existência dos povos indígenas, à sua resistência e à sua proteção", alertou o secretário executivo do CIMI.
 
Eduardo destacou o aumento da violência contra os povos indígenas desde a suspensão dos processos de demarcação de seus territórios. Para ele, o posicionamento do governo tem servido de incentivo para invasões por parte de madeireiros e do garimpo ilegal.
 
"Essas dificuldades têm feito com que os povos indígenas sejam colocados em risco. Inclusive povos isolados e povos de contato recente, que estão sendo assediados constantemente e esses povos correm risco de terminar sua existência no Brasil", afirmou Cerqueira.
 
O indigenista espera que a justiça internacional aceite as denúncias contra a política do governo brasileiro. Para ele, o simples fato da ação ter sido protocolada já gera uma repercussão positiva.
 
"Vários políticos têm se referido a esse aspecto dessa ação nefasta e genocida contra os povos no Brasil. E não só os indígenas, mas também os quilombolas, as populações tradicionais, e a população da periferia no Brasil", concluiu.(Com agência Sputnik Brasil)