Fundado pelo jornalista Tico de Oliveira em 12 de junho de 1987 - E-mail: jornalimpactoconquista@gmail.com

Cidadão Repórter

77 98839-2585
Vitória Da Conquista(BA), Terça-Feira, 11 de Maio de 2021 - 04:37
11/04/2021 as 13:53 | Por Da Redação | 314
Bolsonaro fez o Brasil encolher
Bolsonaro fez o Brasil encolher
Fotografo: Reprodução
Divulgacao

O presidente Jair Messias Bolsonaro acaba de corresponder esta semana, à sua fama de “mito”, como o chamam os mais fanáticos seguidores. Embora tenha desdenhado da Covid-19, recusando-se a usar máscara (até a posse do 4º ministro da Saúde, o médico Marcelo Queiroga) e se posicionado sempre contra o isolamento social, que culpa como causa da recessão e do desemprego e não consequência da pandemia e das medidas precaucionais contra o novo coronavírus e as novas variantes mais letais, ele conseguiu fazer o Brasil parar de crescer. Não se trata do Produto Interno Bruto, vulgo PIB, que é a soma de tudo o que é produzido (na agropecuária, na indústria, no comércio, nas atividades de serviço, no setor financeiro e de seguros, nas atividades imobiliárias e de construção, além dos serviços públicos e de utilidades públicas).
 
Ele caiu 4,1% no ano passado, nos colocando abaixo do tombo do PIB mundial, que foi de 3,3%. Segundo as projeções do FMI vamos continuar crescendo a baixa da média mundial este ano (2,9%, sem recuperar o tombo de 2020) e em 2021 (4%). No período, o mundo cresceria 6% e 4,4%, respectivamente. Medida em dólar, a queda do PIB foi superior a 22%. O tombo, que já vinha desde o 2º governo Dilma, quando as recessões de 2015 (-3,6%) e de 2016 (-3,3%), aliadas à forte desvalorização do real, nos fizeram cair do 6º para o 8º lugar entre as maiores economias do mundo, se acentuou no ano passado. Descemos do 9º para o 12º lugar no ranking, sendo superados pelo Canadá, Coreia do Sul e Rússia. Em termos per capita e medido em dólar o tombo foi dramático em 10 anos: -47,9%.
 
 
Mas não foi só um encolhimento de quase 50% na renda real do brasileiro que os extremos à direita e à esquerda produziram no país. Refiro-me ao quadro geral do Brasil no mundo. Continuamos sendo o 5º país do mundo em área territorial (8,5 milhões de km2), ainda que a devastação de parte desta área, sobretudo na Amazônia e no Pantanal tenha avançado vertiginosamente nos últimos dois anos. Mas em população perdemos em 2019 o 5º lugar para o Paquistão, que em 2020 já tinha quase 1 milhão de habitantes a mais do que nós. Em estatura política encolhemos nos últimos dois anos e três meses, seguindo a cartilha para ser pária no mundo do ex-chanceler Ernesto Araújo, tardiamente defenestrado pelo Senado Federal, que o demitiu de fato.
 
Mas o recorde de contágios semanais e mortes pela Covid-19 se transformou em tragédia inédita esta semana, quando o teto das mortes diárias passou dois dias acima de 4 mil registros: 4.195 óbitos foram lançados no dia 6 de abril e 4.249 mil óbitos em 8 de abril, segundo o Ministério da Saúde. Até ontem o país tinha acumulado 348.718 mortes por Covid-19, segundo o Ministério. Mesmo com a queda de registros nos fins de semana (quando muitas secretarias municipais de saúde fecham, absurdamente, a parte burocrática – e o que dizer da parada da vacinação aos sábados e domingos?), vamos passar este fim de semana das 350 mil mortes. Até ontem, comparado com a população (212,3 milhões de habitantes) registrávamos 166 mortes por cada 100 mil habitantes. Estávamos atrás dos Estados Unidos (560,5 mil mortes e índice de 169 por 100 mil habitantes), do Reino Unido (117 mil mortes e índice de 191), da Itália (188), e do impressionante índice de 205 da pequena Bélgica, que com 11,5 milhões de habitantes tinha 23.390 óbitos, índice de 205 por 100 mil. E um pouco melhor que os 164 do México (207 mil mortes para 127,6 milhões de habitantes) ou os 146 da França (que acumulada 98 mil mortos para 67 milhões de habitantes). Entre os nossos vizinhos o Peru está pior: 170.
 
Achou alto, caro leitor, o número da Bélgica. Pois saiba que sua população é equivalente à do Grande Rio. E o RJ como um todo estava bem pior: acumulava 39 mil mortes, ou seja, um índice de mortalidade de 226 por 100 mil habitantes. E São Paulo? Com 46,5 milhões de habitantes, o estado registrava até ontem 81.750 mortes por Covid-19. Um índice de 178 por 100 mil habitantes. Era maior do que o índice de 163 da Espanha, com 76,3 mil mortos para 47 milhões de habitantes; que o índice de 146 da França e 94 da Alemanha (78,4 mil mortes para 83 milhões de habitantes). Todos esses países, com dificuldades de vacinação resolveram fazer “lockdown” total ou quase total. Vale lembrar que os países da Europa, como o governo Bolsonaro, deram prioridade à compra da vacina AztraZeneca, que seria envasada aqui pela Fiocruz. Lá, com registros de trombose, houve interrupção do processo; aqui, faltam Insumos Farmacêuticos Ativos, que tiveram de vir da China, por dificuldades de entrega da Índia, que resolver priorizar seus 1,380 bilhão de habitantes – eram 168,5 mil mortos até sábado.
 
 
 
Diante desta tragédia que fez a contagem populacional online do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística registrar, pela primeira vez esta semana, um número de nascimentos diários inferior ao total de mortos. Em outras palavras, pela primeira vez em 521 anos de história a população do Brasil encolheu! Sim, acredite conferindo o portal do instituto: www.ibge.gov.br




Notícias Relacionadas





Entrar na Rede SBC Brasil